domingo, 24 de março de 2013

Certeza

Em longas viagens
Trago palavras entaladas na garganta
Coceiras nas mãos
Versos flutuantes
Sorrisos mínimos e vida em pauta.

Nas costas o prazer absoluto
O peso e o gosto insalubre
Do voto semanalmente renovado.
O solitário sonho
de quem nada no ar.

No estômago o medo
de terríveis previsões
Seguido de sons fùnebres
violinos cortantes e beijos febris.

Mas nada dói mais
Que voltar arrastando em meus pés
Sangramentos maiores
Cortes profundos
Quereres contidos.

Nada dói tanto
Que essa renúncia velada em meus olhos:
A certeza de que estarei sempre só.
O sono que vêm me roubando a vida.
Essa morte de visita  que vem devagar.

Então, me deixo sangrar
Para que escorra em mim
Tudo o que preciso.
Morrer
Para ser novamente
Apenas caminho.