Em longas viagens
Trago palavras entaladas na garganta
Coceiras nas mãos
Versos flutuantes
Sorrisos mínimos e vida em pauta.
Nas costas o prazer absoluto
O peso e o gosto insalubre
Do voto semanalmente renovado.
O solitário sonho
de quem nada no ar.
No estômago o medo
de terríveis previsões
Seguido de sons fùnebres
violinos cortantes e beijos febris.
Mas nada dói mais
Que voltar arrastando em meus pés
Sangramentos maiores
Cortes profundos
Quereres contidos.
Nada dói tanto
Que essa renúncia velada em meus olhos:
A certeza de que estarei sempre só.
O sono que vêm me roubando a vida.
Essa morte de visita que vem devagar.
Então, me deixo sangrar
Para que escorra em mim
Tudo o que preciso.
Morrer
Para ser novamente
Apenas caminho.