sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Assim como Neruda "Em nome do meu mutante amor
proclamo a pureza..."
Me debruço sobre o que mais combato e me rendo ao que menos propago.
Escondo a minha pureza embaixo dos véus da minha insanidade.
Dessa liberdade inebriante,vou tecendo o meu destino em gozo e solidão.
Quanto mais grito em alto som a minha malícia
mais etérica e santa se torna a minha alma:
Ela guarda a intensidadede todos os meus instantes,
A verdadeira fidelidade:
Essa palavra que ninguém enxerga e em cegueira total se pronuncia...
Porque quando sou de todos e de ninguém
Alago de sossego meus passos de doçura
profano meu caminho diante do que vejo:
Vejo a mentira reinante na morte maquiada de enlace
E ardo em mil delírios e me deleito em minha imaculada pureza.
Busco meu completo desapego enquanto a vida me observa
E quero sempre mais...
Mais do que vejo, ainda mais do que sinto e do que eu possa merecer.
Quero a minha passagem errante,sentir cada passo em meus pés.
Sentir o vento suave da mais profunda verdade....
Proclamo a minha pureza,sim,quando submeto a minha língua
ao sabor do seu prazer
Quando entrego meu corpo e minha espera em seus braços
Quando falo aos quatro ventos que quero a liberdade de ser
e de querer ser de quem quero.
E quando encontro em minha renúncia os poemas de Cecília...
Me deleito em minha pureza,entendo o sarcasmo das horas perdidas
Entrego minha vida,meus sonhos e delírios à sua sorte.
Me descubro plenamente minha tão pura e tão mundana...
Quando meu maior desejo habita
no mistério de uma constante pergunta:
Quem sou eu?


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