Em letras sinuosas
Teço um longo manto de enlaces
Rezo terços dos últimos pecados
Dedilho duas ou três notas
Numa silenciosa música
E vou bordando em dor profunda
Palavras particulares...
Símbolos que só eu posso decifrar.
Faço-me refém de tortuosos pontos...
Ora perfeitos, ora inacabados
Nas agulhas em que espeto
Meus dedos, meus medos
E meu coração...
Porque essa costura
De vontades incontidas
e de desesperos maiores
Me mostra sua presença constante
e borbulhante...
E te encontro no caldeirão em que ferve
a minha lembrança...
Diante dessa contínua e bonita agonia
Que chamamos de saudade...
Quero esquecer de seus olhos
E queimar todos os meus versos!
Porque esse amor só revela
Todo o meu desamparo
E minha louca entrega repentina...
E de seus silêncios e distâncias
Nascem minhas perguntas
Meus intervalos e minha solidão.
Vou tecendo meu manto desnuda
Em canções de outras mulheres
No ritmo de minhas levianas afirmações
Nas horas de espera
por nossos encontros furtivos
E quando te vejo...
Quero apenas represar o meu olhar
para que meus olhos não me denunciem
e digam de uma vez por todas
Tudo o que levaria uma vida inteira pra dizer.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Carta
Só você tem meus poemas
Todos aqueles que escrevo agora
E todos os outros que andavam perdidos
Endereçados a ninguém...
Cartas escritas a mim mesma
Sob a alcunha do encantamento
As vezes tortas e enganadas
Exiladas em minhas gavetas
Adormecidas num tempo
De lonjuras e mares
A espera da voz
Que as despertasse um dia...
Quero que leia em mim
esses versos intrusos
Habitantes de casas
que não lhes pertenciam
Amantes dos rumores
e das saudades
Sonhos naufragados
Interrompidos por breves
espasmos de desejos...
Hoje, resolvo andar mais devagar
e assim as palavras me escolhem
E seus olhos me alcançam
Amanhecem em mim
E escrevem uma carta
Em longos sorrisos
Pouco a pouco
Para que o gatilho
de minhas andanças
Jamais deixe de ser poesia.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Acaso
O acaso que me trouxe até aqui
Entende bem de casos
E encontros
Pois de desencontros
Meus anseios são propícios
E dói tanto ser muito
Em tempos de tão pouco...
Tampouco, esse acaso traz alento
Sussurra um saborear solitário
em pratos de delícias intensas
Enche-me de superlativos
E me dilacera
Para que o amor ordene
Que minhas palavras
Procurem os papéis
As linhas dos cadernos
os pequenos guardanapos
Dos bares onde despejo
Esse pestanejar de incertezas...
Para que encontrem
As valas onde escorregam
Minhas letras furtivas
Como lagartas
Metamorfoseando-se
Em pequenos vômitos de doçura.
E assim dispenso discursos
Deixo escapar
As prematuras borboletas
Esse inquieto brincar contido
Em meu peito...
Para que me encontre em cada verso
Para que permaneças ao alcance
Dos meus sonhos
Para que esse eterno acaso
Contrarie minhas premonições
E uma ínfima esperança de que fiques
Brote pra sempre em meu leito.
Entende bem de casos
E encontros
Pois de desencontros
Meus anseios são propícios
E dói tanto ser muito
Em tempos de tão pouco...
Tampouco, esse acaso traz alento
Sussurra um saborear solitário
em pratos de delícias intensas
Enche-me de superlativos
E me dilacera
Para que o amor ordene
Que minhas palavras
Procurem os papéis
As linhas dos cadernos
os pequenos guardanapos
Dos bares onde despejo
Esse pestanejar de incertezas...
Para que encontrem
As valas onde escorregam
Minhas letras furtivas
Como lagartas
Metamorfoseando-se
Em pequenos vômitos de doçura.
E assim dispenso discursos
Deixo escapar
As prematuras borboletas
Esse inquieto brincar contido
Em meu peito...
Para que me encontre em cada verso
Para que permaneças ao alcance
Dos meus sonhos
Para que esse eterno acaso
Contrarie minhas premonições
E uma ínfima esperança de que fiques
Brote pra sempre em meu leito.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Universo
Hoje cubro-me de estrelas
Para eternizar nosso encontro
E ocupar esse universo
E ocupar esse universo
De espera e solidão.
Venho te despertar
Do sono da mesmice
E da dúvida de não me querer.
Penso, que na verdade
O amor é essa lava espessa
Esse caminhar perdido
Pelos vales da morte
Essa incerta inspiração.
E em lágrimas contidas
Caminho por ares de concreto
Até encontrar seu destino.
Porque minha busca é árida
E meu solo é companhia.
E por ele trago
O pensamento nos pés
O medo na garganta
E no ventre o coração.
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