terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Carta


Só você tem meus poemas
Todos aqueles que escrevo agora
E todos os outros que andavam perdidos
Endereçados a ninguém...
Cartas escritas a mim mesma
Sob a alcunha do encantamento
As vezes tortas e enganadas
Exiladas em minhas gavetas
Adormecidas num tempo
De lonjuras e mares
A espera da voz
Que as despertasse um dia...
Quero que leia em mim
esses versos intrusos
Habitantes de casas
que não lhes pertenciam
Amantes dos rumores
e das saudades
Sonhos naufragados
Interrompidos por breves
espasmos de desejos...
Hoje, resolvo andar mais devagar
e assim as palavras me escolhem
E seus olhos me alcançam
Amanhecem em mim
E escrevem uma carta
Em longos sorrisos
Pouco a pouco
Para que o gatilho
de minhas andanças
Jamais deixe de ser poesia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário