quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sonho

Meu sono abriga um mar inteiro
Durmo em canoas íntimas
Balançando em nauseantes sonhos
Tentativas fantásticas de mergulho
Pescando palavras silenciosas e submersas.
Sempre tento lembrar de calmarias e amparos
E o que encontro são ondas imensas
Gotejantes tristezas e alegrias incertas
Me desequilibro a cada minuto
E quando toco o último verso
Busco apenas uma frase que defina
Esse abortamento de verdades.
Sinto que caio, vacilo e então desperto:
Onde foram parar as palavras que te disse um dia?
Revisito meus baús e os encontro tão vazios
Vazios de seus olhos e de suas permanências
Entristecidos de ausência de loucura
Revestidos de bordados desfeitos em pedaços.
A vida apagou nossos nomes dos livros
Em que adormecemos
Riscaram linhas de capítulos esquecidos
O mar encobriu com suas águas as últimas pegadas
Da areia em que meus pés pisaram
E os ventos que guardavam minhas lembranças
Sopraram para um tempo que nunca existiu.
Me assombro
Com a invisibilidade de nossa história
Porque na verdade ela nunca existiu:
Foi apenas um sonho.
Então sepulto seu nome
Nas tábuas rentes do meu barco
Navegando em realidade distante e absoluta.



Nenhum comentário:

Postar um comentário