segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sono

Continuaria dormindo
Não fosse essa lua
Que em brilho e ousadia
Gritasse em meu peito
Outra vez o teu nome

Contemplativa
Vejo teus olhos
Em céu estrelado
Ressoa a lua com seu lustre em canto
Anoitece a alma em tua lembrança

E silenciosa
Do fim ao começo
Me atinge o amanhecer
Confunde meus sonhos
Rabisca meus passos
Enfim adormeço

E o que sinto
Permanece
Vasto
Infinito
Inteiro

Profundo
Caminho
Iluminado
Sobreposto
Em minha vida
Adormecido em meus sapatos
Guardado em trapos
De bom sono

Só você me acalenta e me desperta
Habitante antigo
Do universo onírico
Do meu travesseiro.





quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lunática

Não determino hora
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades

Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão

Mas tudo o que respinga em mim
É palavra

Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão

E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam

Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.