quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Lunática

Não determino hora
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades

Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão

Mas tudo o que respinga em mim
É palavra

Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão

E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam

Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.



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