Fundos são meus olhos
acostumados a noites perdidas
perdidos entre as folhas
das árvores
vozes de crianças
brisa de quintal.
Perdidos imaginando
seu peito devastado
a dor absoluta
memórias de horror.
E o que queima e arde
é uma lembrança translúcida
que chicoteia e esmiúça
a carne humana
que dilui e multiplica
a última lágrima represada.
Porque doer por si só
é absurdo
mas sangrar a dor do outro
é sobrenatural.
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