domingo, 13 de agosto de 2017

Labaredas


Como se fosse hoje, te esperei entre as quartas mais cinzas e um quarto no alto onde se ouvia o mar. Mais uma vez. Janelas adentro, vento soprando no agosto do seu inverno. Éramos amantes, sempre a carne e o beijo. O chapéu que avistava primeiro, pulando a cancela equilibrado. Assim o bolo e o pão cheiravam mais. O desejo do corpo, uma amizade no cio. Era esse pássaro que esperava no fim da tarde para comer mais do que devia com a voracidade de quem morria de fome ou de prazer. De repente e agora vivencio seus olhos, caminhando em rua estranha. Era você, envolto a dor entorpecente, tão próxima da língua e do corpo que me cobre. 

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