domingo, 13 de agosto de 2017

Paixão

Meus olhos já viviam marejados, desde a visita noturna que pulou a janela e me fez sonhar. Sonhei acordada a noite inteira, entre pernas e suspiros, o cheiro de goiaba e a fome ensandecida. Me vi preenchida de plena liberdade e prisioneira do que era ilícito. Desde então, minha busca tornou-se intensa entre o seu cheiro e a minha paz. A pele lisa por onde passeia meus cílios, entre fogueira e ventania. Chuva que ondeia o barco em que navego. Navegante de minha própria sorte no mar mais revolto em que me atrevi a entrar. Sentada no cais do porto, pedi que o vento levasse seu ar de tempestade e me devolvesse as noites que posso carregar no colo, no destino incerto e provável da vida.

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