Ando contemplativa
Humanizada
Suspirando demais
Dando sinuosos passos
Em torno de um pequeno
abismo.
Caminhante
de sucessivas palavras
Apresso meu passo
Para caber em seu espaço
Pois essa cratera em meu peito
É apenas uma prece
Que ecoa em sentimento
De mútua salvação.
Como se não morasse
Em nossos porquês
Busco até hoje
O caminho que me traga
De volta a mim mesma.
Que pare de brincar
com essas ligeiras sementes
Que brotam em meus pés.
Que reflita em meus espelhos
Apenas o meu rosto
E acabe com a sua
marcante presença
em meu mundo absoluto.
Ando distante do meu ego
Querendo ser você
Em dias amenos
E ardendo em minúsculas
E poucas ambições.
Como quando criança
Onde meu desejo habitava
No intervalo entre o riso e o vento
Até te conhecer...
Hoje, o que mais me fascina
É escorregar em seu colo
Como no balanço do parque
De minha lembrança infantil.
Na euforia da queda
Busco até hoje
A sua maneira de me tocar
O prazer duradouro
de sua presença.
Então rezo
Para que me traga o aroma
De seus dedos
Seu toque de suor
sua língua de vertigem...
Para que toquem os meus acordes
E me acalmem dessa guerra
Ininterrupta
De tentar te esquecer.
Acredito apenas nesta prece
Para que se aquiete
em minhas entranhas
Sopre constantes
Canções em meus ouvidos
E contenha as águas revoltas
Que trago em meu nome.
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