Desculpe a minha indelicadeza
De não saber sentir
Com os teus olhos.
Sei tanto de mim
Que posso esquecer
de te olhar de perto.
Só sei ver
com minha masculinidade
Obtusa,obscura e obscena.
Desculpe por crer na mágica
maciez do encontro
E no porvir em sentimentos
gerados por ele.
Pois quando penso que
Andarei armada de cinismo
para nunca mais sucumbir
à credulidade,
trago tatuada no corpo uma fé
imediata, imaculada e indecente.
Desculpe por achar
Que o seu silêncio
é uma resposta intuída.
Por guardar em meus lençóis
as palavras que te diria
todas as noites.
Por faltar-me tranquilidade
para lidar com o empréstimo
do que amo,do que quero e que não possuo.
Me perdoe
Por faltar-me a paz necessária
para aceitar meu destino.
Por resguardar minha alegria
Através de gripes e alergias
para acalentar meu ego de menina
E me sentir protegida e ainda assim preterida.
- Preferida prostituta sem beijo na boca.
Pois tudo o que pulsa cabe dentro de mim
Sempre, quanto e sem fim.
Por isso preciso viajar
Para expulsar todas essas culpas
E me perdoar num passo inacabado,
Em outro contexto,talvez mais leve e menos denso.
Menos meu,menos seu e mais nosso.
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