domingo, 11 de março de 2012

Presente

Tão linda é a vida
Que nos traz o seu gosto mais doce
quando a amargura nos abate...
Tão linda é tua força
Teus olhos de aconchego
Tua pele em minha língua
Teu amor suave e quente.
E de loucura
Á profunda paz
Vou vivendo agora...
De lembranças no parque
Recrio meu caminho
Mergulho em suas águas
Degusto como se fosse o último
o meu maior e tão simples presente.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Raso


De todo mármore em seu fogo
Seco os olhos de desejo
Se eu sinto o cheiro da morte
Não me perco,só me acho.
Seu fogo não acolhe minha água
Queima devagar e de desgosto
Queima na capa e no couro
Mas não adentra a minha alma...
Falta-lhe água, meu bem...
A fonte que me recria e me enfeita
E de fogo em vez não me acalma
Não adormece em mim
Tua verdade...
Tua beleza branca e fria
Tão dura é tua calma.
E de delícia em carne tão gostosa
Teu fogo não suplanta a sua planta
E por isso não deságua...
E por ser tão raso, eu não mergulho
Neste teu ser de recreio
de matéria e de laço.
Agora, em perpétua vida
Me deixa  apenas o ócio
A pura realidade
Onde não há sonho
Não há dor e nem compasso.

Ruir

Tão bom deixar ruir
Aquilo em que se acredita
Pois em tua beleza me debruço
E diante de tua verdade me sufoco.
Em cama dura de absurdo
Penso que lhe falta fogo...
falta-me ar e liberdade
E tão logo respiro fundo
Mais fundo que minha própria alma
para entender um pouco mais do tédio
E da aridez do mundo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Minha mãe Yemanjá
Me vestiu de liberdade
E levou embora em suas ondas
Todo o gosto amargo desse
Doce andor
Minha mãe
soprou bem forte em meus ouvidos
A música mais doce que eu já pude ouvir
E me trouxe teu filho em teus braços.
De manhãzinha, como um malmequer
Como um botão
E foi brotando, bem devagar
Dentro de mim
Enrolada em seu manto de amor
Minha mãe
Diluiu meu sentimento
Em verdade e em delícia
Minha água e minha vida
Numa só gota
De Carnaval.


domingo, 23 de outubro de 2011

Silêncio

Não diga nada
Continue com seu silêncio de morte
Pois em morte vivo e nela te aguardo
Pois morta vivo diante da sua vontade...
Faça-se a sua vontade, meu bem!
Pois você nem sabe o que me prometeu
E já sou feliz porque te conheci um dia
E porque me trouxe o amor,
Pelo menos uma vez...
E em seu mundo ilegível
E suas conquistas distantes
Aprendi a viver resignada
Aguardando o fim dos últimos tempos...
Aguardando que um dia nesta vida
Te encontre por acaso...
E vou vivendo na ilusão contínua
Desta vida de pequenas mentiras
Porque se não te vejo
Posso sublimar o que sinto..
Mas se você se faz presente
Nada mais para mim existe
Somente você!
Pois se te escrevo essas cartas baratas
É pra não morrer em silêncio, meu bem!
Não diga nada
Continua em silêncio
Para que minha dor seja mais branda
E minhas lágrimas jamais te alcancem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Frase

Me transborda
Como se o mundo acabasse hoje
E qualquer quarto na rua
Fosse pra sempre o nosso lugar!

Transborda a minha boca de sonhos
Enche-me de gotas de amanhã
Derrama em minha taça seus beijos
Minha vodka, meu prazer.

Me transborda
Liberta essa fonte em meus olhos
Deságua minha vida num curso
Lágrima de simples querer.

E tal qual frase de Clarice
Me molha com suas mãos de orvalho
Me prende de noite em seu colo...

E não me adore
não me complete
E nem  me explique:
Apenas
Me faça transbordar...




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O mais barato

Desde ontem ensaio um poema
Que de tão baixo
Nem quero escrever!
O que penso é tão pequeno
Que me leva ao nível
mais barato de mim mesma.
E vejo que o que sinto
É maior que tudo o que já senti.
É capaz de desvendar de fato o que sou
E aquilo o que nem quero ser.
Mas se mergulho de vez em verdade
Vejo o que sempre vive velado
No infinito indizível do que sou.
E talvez só mesmo em sopro de maldade
Minha vida se deleite em sua morte
E se canse de uma vez de te esperar.