sábado, 29 de dezembro de 2012


Sábado a noite
Penso que a morte é o melhor remédio
Que os dias já não valem a pena
 E que a espera é mero consolo de quem vive

Penso que sou única
O diabo que desafia a paz alheia
Aquela que delira em verdade
Que vive a margem da inveja

Mergulho com minhas taças de fel
Entre lembranças e desejos
No calor de uma noite medíocre
Em chamas de puro labor

Penso em seus dedos em minha carne
No seu hálito cor de mármore
Nos meus gozos de renúncia
Nas minhas lágrimas disfarçadas

E lembro que sou sua
Desde antes de te olhar
Porque só suas palavras me conhecem
E nelas triste encerro minha busca
Em festejo e funeral de corpo ausente.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Estrada

Caminho assim...
Entre o seu silêncio
E a minha espera
A minha surpresa
E o céu de estrelas
Em que nossas vozes
flutuam...
Entre poesia e ritmo
O belo e o verdadeiro.
E de ventura em sonho
Sigo os dias a cantar
Pisando na areia
Onde o mar arrebenta
Buscando sua voz
Entre brisa e tormenta
Na praia distante
Em que abrigo o meu sono.
Porque meus curtos passos
E meus olhos tão infantes
Só querem de fato
O que é meu:
O alívio do encontro
A certeza das palavras
O sentimento dos poetas
Cada passo do caminho.
Caminho assim...
Entre distâncias relativas
Horas que passam depressa
Atalhos nunca percorridos
A pura realidade
A fluidez de nossas vozes.
Sigo o meu caminho
Voraz
Entre seu cheiro legítimo
E o próximo capítulo
De nosso breve poema.
Porque sou como as crianças:
Gosto de sutileza
De cores leves
De colo quente
E de histórias simples.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Para sempre



Quero nosso chão gelado
Aquele em que me aconchega
E me enlaça
E me derrama mil olhares
E me aquece de afago.

Quero aquelas gotas infinitas
Seguidas de doces beijos
Sua dor de quase gozo
Meu calor e seu compasso.

Quero suas respostas
Sem consignas
Seu imediato deguste
Minhas palavras de pecado
Nosso silêncio de acaso.

Quero sua comida viciante
Sua voz ao telefone
A euforia de sexta à noite
Orgasmos de insônia...

Mas só se for pra sempre.

domingo, 18 de novembro de 2012

O amor é de quem relaxa
De quem esquece que ele existe
De quem dedica essa doce canção
A quem menos se espera...

O amor é de quem respira
De quem se reparte em mil pedaços
De quem se ama,de quem se basta
De quem se recria...

O amor é das crianças
de quem traz leveza e paz
Meiguice e confiança...
Presente!

E nem sempre vem embalado
Na melhor das caixas...
Nunca se encaixa 
em grandes expectativas.

Ele apenas acontece...

O amor é mesmo um laço
daqueles bem feitos
Que só folga
quando apertamos a fita.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Assim como Neruda "Em nome do meu mutante amor
proclamo a pureza..."
Me debruço sobre o que mais combato e me rendo ao que menos propago.
Escondo a minha pureza embaixo dos véus da minha insanidade.
Dessa liberdade inebriante,vou tecendo o meu destino em gozo e solidão.
Quanto mais grito em alto som a minha malícia
mais etérica e santa se torna a minha alma:
Ela guarda a intensidadede todos os meus instantes,
A verdadeira fidelidade:
Essa palavra que ninguém enxerga e em cegueira total se pronuncia...
Porque quando sou de todos e de ninguém
Alago de sossego meus passos de doçura
profano meu caminho diante do que vejo:
Vejo a mentira reinante na morte maquiada de enlace
E ardo em mil delírios e me deleito em minha imaculada pureza.
Busco meu completo desapego enquanto a vida me observa
E quero sempre mais...
Mais do que vejo, ainda mais do que sinto e do que eu possa merecer.
Quero a minha passagem errante,sentir cada passo em meus pés.
Sentir o vento suave da mais profunda verdade....
Proclamo a minha pureza,sim,quando submeto a minha língua
ao sabor do seu prazer
Quando entrego meu corpo e minha espera em seus braços
Quando falo aos quatro ventos que quero a liberdade de ser
e de querer ser de quem quero.
E quando encontro em minha renúncia os poemas de Cecília...
Me deleito em minha pureza,entendo o sarcasmo das horas perdidas
Entrego minha vida,meus sonhos e delírios à sua sorte.
Me descubro plenamente minha tão pura e tão mundana...
Quando meu maior desejo habita
no mistério de uma constante pergunta:
Quem sou eu?


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Solidão


Certa apenas de que chego
em sua vida
Chego para me salvar
de mim mesma
Para sublimar meu andor
E entender seu calvário
Perceber sua terna dor
E impaciência...
Nossa morte pronta.
Nossa mesa imposta.
Me deixe mergulhar
em sua sombra 
E sentir que brisas
te refrescam...
Onde estão os seus sonhos
Em que densas músicas
eles se escondem?
Quero ver onde mora
Esse furor
De desprezo
Esse mar
de cômoda agonia
Esse obscuro suicídio
Esse amor de medo
e de lembrança.
Quero beber a gota
Da lama em que surge
Da morte que venera
do beijo e do sangue...
Da sua tão apaixonante
Solidão.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Todo o meu sentimento
nasce e morre num outro lugar
Lugar onde ninguém habita...
Mundo de criança 
Onde os adultos
nem ousam  pisar...
Estar com as crianças
É estar em meu mundo particular.
É pisar na verde grama do meu ser...
É respirar o amor mais intenso
sem que ele incomode.
E por isso vivo tão só, em eterna espera 
Numa grande busca do meu verdadeiro lar.
Onde estão as pessoas que, como eu 
Depositam plenamente seus sonhos em inocência e verdade?

terça-feira, 27 de março de 2012

Escuta

Escuta o meu silêncio
Aquilo que falo
Quando lanço em ti
O meu primeiro olhar.
O silêncio do meu mundo
Cheio de palavras.
A escuridão do meu sono
De drama e de desejo.
Escuta o meu silêncio
Que se desdobra
em letras e canções
só pra dizer
Que o que sinto é tanto
que penso em desistir.
Amo quem nem sei
Quem nem conheço
quem desejo intuir
em triste reflexo.
Pois tudo em mim
Morre de sofrer
Tudo em mim
É tão denso e tão fugaz.
Meu silêncio escorre
nas feridas que trago
E na água transparente
da minha alma de menina.
Então, sendo assim
Escuta em mim
O intervalo de nós dois.
O meu silêncio
Mesmo que distante
No mar onde ele habita
Nas ondas em que me entrego
Na incerteza de meus passos
Nas minhas lágrimas de outrora
No meu prazer e meu sorriso.
Escuta enfim
Mil cartas escritas em suor
A minha prece em tua boca
Minha luz entre o abismo.
E me entrega o seu suspiro,
Seu sabor, suas palavras,
Seus dias de ócio
Sua dor e seu trabalho
Sua vida e nada mais.





terça-feira, 20 de março de 2012

Meu sonho

Enquanto dormia em seus braços
O mundo girou devagar
Mil sóis brilharam no escuro
Estrelas dançaram de alegria
em silêncio de calma e de morte.

Quando me destes
O último olhar daquele dia
Me trouxeste a ânsia e o assombro
A desventura da partida
A dor física do abandono.

E me vi caindo no poço
de minha própria voz
Me perdi em gritos mudos
quando te encontrei
E submergi do meu sonho
Quando descobri o seu nome.

Parece que tudo
Em ti me desperta
E descubro em teu silêncio
Os gostos e os perfumes
Do prazer e da bondade.

O sonho, a infância e o deleite:
Em sua boca e seus lençóis.

Em seu quadril
Entrego a minha sorte
E em teus olhos
Percorro o meu caminho
Me entrego à força
Dos seus dentes

E já não vivo:
Sem seu sopro e sua voz.




segunda-feira, 19 de março de 2012

Cidade

Me fizeste pisar em lama
E sentir o suor mais denso
Em meu âmago
de desleixo e sol.
Em puro sal e bijuterias
Te mostro o meu lado profano
pobre e mundano
que ganhastes de pronto
Quando me viu.
Me faz feliz
No mais improvável
Dos lugares
no momento menos propício
Nos becos mais simples
De nossa cidade.
Em promessa e guia
de tanta poeira
De cerveja, sonhos
cheiros e vontades
Meus olhos então
te procuram
Na rota do fogo,
na prata do mar...
Na areia em que piso
na luta e na dança.
Não me importa o canto
O modo, o lugar
Minha vida te chama
Meu homem
Pra dentro do rio
Que corre
Em meu leito
Em meu sangue
Em meu peito.


domingo, 11 de março de 2012

Presente

Tão linda é a vida
Que nos traz o seu gosto mais doce
quando a amargura nos abate...
Tão linda é tua força
Teus olhos de aconchego
Tua pele em minha língua
Teu amor suave e quente.
E de loucura
Á profunda paz
Vou vivendo agora...
De lembranças no parque
Recrio meu caminho
Mergulho em suas águas
Degusto como se fosse o último
o meu maior e tão simples presente.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Raso


De todo mármore em seu fogo
Seco os olhos de desejo
Se eu sinto o cheiro da morte
Não me perco,só me acho.
Seu fogo não acolhe minha água
Queima devagar e de desgosto
Queima na capa e no couro
Mas não adentra a minha alma...
Falta-lhe água, meu bem...
A fonte que me recria e me enfeita
E de fogo em vez não me acalma
Não adormece em mim
Tua verdade...
Tua beleza branca e fria
Tão dura é tua calma.
E de delícia em carne tão gostosa
Teu fogo não suplanta a sua planta
E por isso não deságua...
E por ser tão raso, eu não mergulho
Neste teu ser de recreio
de matéria e de laço.
Agora, em perpétua vida
Me deixa  apenas o ócio
A pura realidade
Onde não há sonho
Não há dor e nem compasso.

Ruir

Tão bom deixar ruir
Aquilo em que se acredita
Pois em tua beleza me debruço
E diante de tua verdade me sufoco.
Em cama dura de absurdo
Penso que lhe falta fogo...
falta-me ar e liberdade
E tão logo respiro fundo
Mais fundo que minha própria alma
para entender um pouco mais do tédio
E da aridez do mundo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Minha mãe Yemanjá
Me vestiu de liberdade
E levou embora em suas ondas
Todo o gosto amargo desse
Doce andor
Minha mãe
soprou bem forte em meus ouvidos
A música mais doce que eu já pude ouvir
E me trouxe teu filho em teus braços.
De manhãzinha, como um malmequer
Como um botão
E foi brotando, bem devagar
Dentro de mim
Enrolada em seu manto de amor
Minha mãe
Diluiu meu sentimento
Em verdade e em delícia
Minha água e minha vida
Numa só gota
De Carnaval.