quarta-feira, 8 de maio de 2013

Memórias

Tenho novidades:
Tão grandes
quanto os mares
que abrigam o meu silêncio
e a infinidade de palavras
que não pronuncio.

Essas que navegam a esmo
Em meu estômago vazio
Engolidas no susto de impotência imediata.

-Barcos errantes procuram seus destinos...

Os portos já não os aguardam
Esperançosas cargas se diluem no tempo
Roteiros sem sentido atravessam meus olhos
E tudo se desfaz em constante partida.

-Viagens nauseantes desse sangue indefinido...

Veja que tudo em mim
Tem uma própria morada:
Da boca entreaberta
intuindo a coragem
Até as palavras que nunca direi.

No escuro em que moram
Minhas cartas perdidas
Recebo suas ideias de presente.
Entrecortados versos querem ressoar
Então afino nosso arranjo
Em voz de intimidade
Com a urgência
De quem adormece
nas profundezas da terra ou do mar.

Porque em palavras fugazes
E previstos funerais nos acostumamos.

- Línguas se curvam para o triunfo do verbo...

Até que a renúncia
Acaba por roubar de uma vez o meu timbre.
Me deixa a deriva para encontrar seus abraços
Sopram sem vírgulas e de repente
Sonoros desencontros

-Silabando por dentro ridículas e indispensáveis memórias.






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