segunda-feira, 29 de abril de 2013

Suspiro

Não se importe
com meu jeito encabulado
Ele apenas mascara
olhos lascivos de desejo
Obsessões particulares
bem distribuídas
E esconde a aliteração
de meus passos e memórias.
Meus olhos represam
Oceanos inteiros
Contidos em íntimos quartos.
Sempre à espera de tormentas
Que os libertem
De outros mares que os acolham
E arrebentem minhas portas.
Se importe apenas
Com esse tempo nublado
De áspera incerteza
Que me transforma
Em calmaria por fora
E tempestade por dentro
Em espectadora
de mim mesma.
Que atira meus sonhos
Em valas comuns
e corta meus pulsos
em certos milímetros.
Mas há um último suspiro:
Ainda trago nos olhos
algo que cintila  em frestas possíveis
E pousa em palavras medianas.
Por isso acautela-te  apenas
de meu silêncio
Pois ele não crê em mais nada
Além do que sinto.




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