terça-feira, 13 de agosto de 2013

Visita

Prefiro a solidão
Permanente
Que a incerteza
De encantamento
A pobre sina
Da infelicidade
Acompanhada.
Por isso te guardo
Como te aguardo
Desacompanhada
De alianças
Sobrenomes
Ou notícias
Estampadas
Em memórias alheias.
Visita-me completamente
Em cada cômodo
Do meu sorriso
Em cada varanda
Do meu olhar de espera
E habita a minha casa
Silenciosa
Com o barulho
Dos seus passos
À minha porta
Com o murmúrio
Da correnteza
Que me conduz
Á sua voz
E arrasta meus pés
Desventuras
Compromissos
Vestidos
Armaduras:
Ser sua é conceder visita
A mais pura alegria.





segunda-feira, 29 de julho de 2013

Proibido

Deixo o futuro pra depois
Porque o presente me completa
Ele fala bem alto em meus suspiros
E me espera em noites de sono
E de sonho acordado.

Hoje, não sei onde chegar
Por isso caminho sem pressa
Um dia de cada vez
Cada andança, um recomeço
Cada passo, uma saudade.

De repente
Minha dor ficou pequena
Depois de você
Tudo em mim fala baixinho
Sussurra em meus passos
Um derramar de caminhos
Cubro-me com os lenços
de tantos instantes.

Cedo, só esse amor insiste em gritar!
E como quem não espera nada
Senão a morte
Desenterro minhas últimas ambições:
Tão simples são meus sonhos
Tão persuasivas são as minhas vontades.

Só quero
que sua luz permaneça
brilhante em meus olhos
Que esse saborear lacrimal
Seja doce e intenso
E que tudo mais que nos resta
Seja eternamente proibido.



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Sonho

Meu sono abriga um mar inteiro
Durmo em canoas íntimas
Balançando em nauseantes sonhos
Tentativas fantásticas de mergulho
Pescando palavras silenciosas e submersas.
Sempre tento lembrar de calmarias e amparos
E o que encontro são ondas imensas
Gotejantes tristezas e alegrias incertas
Me desequilibro a cada minuto
E quando toco o último verso
Busco apenas uma frase que defina
Esse abortamento de verdades.
Sinto que caio, vacilo e então desperto:
Onde foram parar as palavras que te disse um dia?
Revisito meus baús e os encontro tão vazios
Vazios de seus olhos e de suas permanências
Entristecidos de ausência de loucura
Revestidos de bordados desfeitos em pedaços.
A vida apagou nossos nomes dos livros
Em que adormecemos
Riscaram linhas de capítulos esquecidos
O mar encobriu com suas águas as últimas pegadas
Da areia em que meus pés pisaram
E os ventos que guardavam minhas lembranças
Sopraram para um tempo que nunca existiu.
Me assombro
Com a invisibilidade de nossa história
Porque na verdade ela nunca existiu:
Foi apenas um sonho.
Então sepulto seu nome
Nas tábuas rentes do meu barco
Navegando em realidade distante e absoluta.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

Inútil

Desci as íngremes montanhas
Do aconchego
Trazendo no corpo
Questões flamejantes
Saudades líquidas
E pés descalços.
No olhar, seu sorriso
Na alma, o calor
Torturante
De oscilantes permanências.
Venho de cenários rasos:
Praias destiladas
Planícies intencionais
E muita luz
Em tempo obscuro.
Fotofóbica
Deixo pra trás
Cálidos momentos
Reabasteço memórias
Habito outros mundos
E ao dar adeus à névoa
Que me confundia
Descubro que amar é renúncia
Que ausência é encontro
E que é tão inútil partir.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Palavras

Ando sempre em busca de palavras
Sentinelas de asperezas ou sorrisos
Recadeiros de pequenos verões
E imensos outonos...
O inverno é minha estação habitual
Estou sempre acomodada
Num frio de inércia
Ou petrificada de tristeza e saudade.
Mergulhada em rios e mares particulares
Chorando chuvas passageiras
De sensíveis verdades.
Palavras...
Guardiãs das primaveras cíclicas
De minha alma
Companheiras de cultivo
Dos meus imensos jardins.
Procuro enfim, seus rastros e sementes
Para que transcrevam minha loucura
em rastejantes raízes
Fixem meu ser em simples biografia
me esperem em qualquer parte do tempo
E me libertem de prematuros e similares
Amores-perfeitos.






sábado, 15 de junho de 2013

Busca

Ingrata certeza
De cortar-me em mil pedaços
Juntar-me todos os dias
E ainda assim
Não ser o suficiente
Para me sentir inteira...
Que completude
É essa em que esbarro
nas esperançosas esquinas
dessa cidade subterrânea
Chamada nostalgia?
Que merecimento
me aguarda
Sem legitimar
o absurdo?
Só sei
dessa linha imaginária
Entre dúvida e certeza...
E então me sinto intrusa
E inocente
Despedaçada indigente
Buscando só me recompor.








Fim

Até hoje estou morando
No universo da atitude
Sem pensar nas distantes
perguntas que me fiz
Nos minutos infinitos
Que eternizaram
aquele instante...
Em nítida certeza
E perfurante desamparo
Me vi descalça
Nas ruas do meu desejo
Vagando em cada verso
No rabisco desse traço
Quase vacilo
Retomo o ar e continuo
em meu compasso
Me equilibro em possibilidades
E enxergo em nosso beijo
Um simples e sincero
Ponto final.