Não se importe
com meu jeito encabulado
Ele apenas mascara
olhos lascivos de desejo
Obsessões particulares
bem distribuídas
E esconde a aliteração
de meus passos e memórias.
Meus olhos represam
Oceanos inteiros
Contidos em íntimos quartos.
Sempre à espera de tormentas
Que os libertem
De outros mares que os acolham
E arrebentem minhas portas.
Se importe apenas
Com esse tempo nublado
De áspera incerteza
Que me transforma
Em calmaria por fora
E tempestade por dentro
Em espectadora
de mim mesma.
Que atira meus sonhos
Em valas comuns
e corta meus pulsos
em certos milímetros.
Mas há um último suspiro:
Ainda trago nos olhos
algo que cintila em frestas possíveis
E pousa em palavras medianas.
Por isso acautela-te apenas
de meu silêncio
Pois ele não crê em mais nada
Além do que sinto.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
Segredo
Desde aquela noite
Tudo fez amanhecer em mim
Silenciosos vagalumes
Breve luz que antecipa
Meu primeiro sonho matinal
Idéias vibrantes
Tecidas em suaves respostas
Sem promessas nem preces.
Pontos alados
de gentilezas perfurantes.
Desde então moramos
na eternidade das palavras
Na silenciosa costura
que o mundo continua
Nas minhas íntimas gavetas
e no coração dos amantes.
Até hoje estou
me esvaindo em versos.
Como se habitasse
em meu peito a paz dos túmulos.
Então escrevo e reescrevo o amor
Em primeira pessoa
Sem a necessidade
de transformar em tu
O que já existe em nós.
Olho na estante e vejo
Que esse livro inacabado
Talvez seja marcação do
Meu passo
O ressoar das batidas
Do meu coração desajeitado
Impresso em cada página.
O meu desejo disfarçado
de que tudo o que reflete de nós
Nunca termine.
E como se toda noite
Apagasse devagar
as palavras já escritas
Reescrevo nossa história
a cada encontro
Como se ela fosse
O meu mais antigo segredo
A primeira linha do meu livro
A venerável e última
obra da minha vida.
Tudo fez amanhecer em mim
Silenciosos vagalumes
Breve luz que antecipa
Meu primeiro sonho matinal
Idéias vibrantes
Tecidas em suaves respostas
Sem promessas nem preces.
Pontos alados
de gentilezas perfurantes.
Desde então moramos
na eternidade das palavras
Na silenciosa costura
que o mundo continua
Nas minhas íntimas gavetas
e no coração dos amantes.
Até hoje estou
me esvaindo em versos.
Como se habitasse
em meu peito a paz dos túmulos.
Então escrevo e reescrevo o amor
Em primeira pessoa
Sem a necessidade
de transformar em tu
O que já existe em nós.
Olho na estante e vejo
Que esse livro inacabado
Talvez seja marcação do
Meu passo
O ressoar das batidas
Do meu coração desajeitado
Impresso em cada página.
O meu desejo disfarçado
de que tudo o que reflete de nós
Nunca termine.
E como se toda noite
Apagasse devagar
as palavras já escritas
Reescrevo nossa história
a cada encontro
Como se ela fosse
O meu mais antigo segredo
A primeira linha do meu livro
A venerável e última
obra da minha vida.
Ode à verdade
Hoje estou insana
Falei uma palavra proibida
Saíram da garganta pequenos
Pássaros assustados
Borboletas flutuantes
Sopro de constante brisa
E me senti leve como um malmequer.
Mas ninguém percebeu assim.
O mundo inteiro
Sentiu uma facada no peito
Um sangrar desatinado
Que saiu como um tiro
da boca maldita que a palavra libertou.
Liberta-me palavra louca
Para que jamais assassine meus sentimentos
E mesmo que todos tombem aos meus pés
Ou carreguem pesos insuportáveis
Me deixe escutar a mim mesma pelo menos uma vez!
E de gritos sussurrantes e bocejos caudalosos
O mundo multiplica suas mentiras
Verdades são dardos venenosos
com capacidade de aturdir intelectuais e religiosos
Ateus e mendigos... Homens, mulheres e afins.
Em vãos momentos
E maus bocados
Vamos cedendo espaços
Para o quase, o não é bem assim
O mais ou menos.
Até chegar o dia em que a verdade
Torna-se crime brutal
Inafiançável
Como esse indizível: Eu te amo.
Falei uma palavra proibida
Saíram da garganta pequenos
Pássaros assustados
Borboletas flutuantes
Sopro de constante brisa
E me senti leve como um malmequer.
Mas ninguém percebeu assim.
O mundo inteiro
Sentiu uma facada no peito
Um sangrar desatinado
Que saiu como um tiro
da boca maldita que a palavra libertou.
Liberta-me palavra louca
Para que jamais assassine meus sentimentos
E mesmo que todos tombem aos meus pés
Ou carreguem pesos insuportáveis
Me deixe escutar a mim mesma pelo menos uma vez!
E de gritos sussurrantes e bocejos caudalosos
O mundo multiplica suas mentiras
Verdades são dardos venenosos
com capacidade de aturdir intelectuais e religiosos
Ateus e mendigos... Homens, mulheres e afins.
Em vãos momentos
E maus bocados
Vamos cedendo espaços
Para o quase, o não é bem assim
O mais ou menos.
Até chegar o dia em que a verdade
Torna-se crime brutal
Inafiançável
Como esse indizível: Eu te amo.
Tempo
Em dias incertos
Quero a fórmula de conter
Esse amor previsível
Prematuro e infante
Prenúncio de um ciclo
De buscas que findam agora.
Nesses dias chuvosos
Entre pingos e bocejos
Respiro a aliviante certeza
De total ausência de futuro
E a urgência dilacerante
De nossas mútuas salvações.
Venho desde sempre
Descortinando ilusões
Entre ontens e amanhãs
Sou apenas hoje:
Vestida e enfeitada
De doces momentos
Para anunciar a liberdade gritande
Que me amarra aos seus beijos.
Respiro um ar superior
De estranhezas e amanhecimentos
Sensibilidades letárgicas
em adormecimentos sutis...
Pois esse quase amor me encerra
Enterra metade
De meus medos e vazios
Adianta passos indecisos
E pinta minhas tardes
com tons de ternura.
Tudo o que suspeito entre nós
Me indica caminhos
Onde encontro meus lápis
e meus caderninhos de outrora.
E chego inevitavelmente
A qualquer verdade.
Entre lembranças e sorrisos
Safadezas e lágrimas
Vou anoitecendo por dentro
Revisitando aos poucos
Esse buraco negro de regresso
a mim mesma...
E vivo ainda uma década de alegrias
Quando reencontro o que sou e o que sinto
E tudo o que é capaz de despertar em meu peito
Esse tempo nefasto.
Quero a fórmula de conter
Esse amor previsível
Prematuro e infante
Prenúncio de um ciclo
De buscas que findam agora.
Nesses dias chuvosos
Entre pingos e bocejos
Respiro a aliviante certeza
De total ausência de futuro
E a urgência dilacerante
De nossas mútuas salvações.
Venho desde sempre
Descortinando ilusões
Entre ontens e amanhãs
Sou apenas hoje:
Vestida e enfeitada
De doces momentos
Para anunciar a liberdade gritande
Que me amarra aos seus beijos.
Respiro um ar superior
De estranhezas e amanhecimentos
Sensibilidades letárgicas
em adormecimentos sutis...
Pois esse quase amor me encerra
Enterra metade
De meus medos e vazios
Adianta passos indecisos
E pinta minhas tardes
com tons de ternura.
Tudo o que suspeito entre nós
Me indica caminhos
Onde encontro meus lápis
e meus caderninhos de outrora.
E chego inevitavelmente
A qualquer verdade.
Entre lembranças e sorrisos
Safadezas e lágrimas
Vou anoitecendo por dentro
Revisitando aos poucos
Esse buraco negro de regresso
a mim mesma...
E vivo ainda uma década de alegrias
Quando reencontro o que sou e o que sinto
E tudo o que é capaz de despertar em meu peito
Esse tempo nefasto.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Nós
Habita em mim
A sílaba tônica do inconsciente
Monólogo que antecede a alegria
A preamar de meus anseios
De infância e orgasmo
Letras e notas sonoras navegantes
Ilumino e escrevo
Na página da minha saudade
Palavras ilegíveis de demora e espera
Sandices sedentas de sonhos e memórias
O hálito doce que inspiro e despejo
Fica em meu barco o eterno vazio
A presença do mar que me contamina
Uma totalidade imediata:
A capacidade absoluta
De preencher minhas entranhas.
Entrego a minha pele
Para guardar seus suores e tremores
E dizer em sussurros
O que não se pode dizer em grito
Ou correnteza
Em sopros e ondeios
de inocências múltiplas e lacrimais.
Não quero calcificar meus olhos
De possíveis porquês
Busco só a palavra exata
Que defina esse esvaziamento que completa.
Esvaziar-me por dentro é sorte
Sem doses e limites
Em simbiose
Como se fôssemos filhos
De estranhos silêncios.
E como se não fôssemos amantes
Não busco nomes ou explicações
Deixo o vento soprar nas velas de seus sabores
Nos rumores das brisas que me aliviam
E nos deixo habitar em oceanos profundos
De apenas poemas e sem fins.
A sílaba tônica do inconsciente
Monólogo que antecede a alegria
A preamar de meus anseios
De infância e orgasmo
Letras e notas sonoras navegantes
Ilumino e escrevo
Na página da minha saudade
Palavras ilegíveis de demora e espera
Sandices sedentas de sonhos e memórias
O hálito doce que inspiro e despejo
Fica em meu barco o eterno vazio
A presença do mar que me contamina
Uma totalidade imediata:
A capacidade absoluta
De preencher minhas entranhas.
Entrego a minha pele
Para guardar seus suores e tremores
E dizer em sussurros
O que não se pode dizer em grito
Ou correnteza
Em sopros e ondeios
de inocências múltiplas e lacrimais.
Não quero calcificar meus olhos
De possíveis porquês
Busco só a palavra exata
Que defina esse esvaziamento que completa.
Esvaziar-me por dentro é sorte
Sem doses e limites
Em simbiose
Como se fôssemos filhos
De estranhos silêncios.
E como se não fôssemos amantes
Não busco nomes ou explicações
Deixo o vento soprar nas velas de seus sabores
Nos rumores das brisas que me aliviam
E nos deixo habitar em oceanos profundos
De apenas poemas e sem fins.
sábado, 6 de abril de 2013
Virose
Na verdade essa dor
Não é bem na barriga
É um desfalecer de aura
Um sufocamento de desamparo
Frio qualquer de falta de alento.
Me deixo queimar por dentro
E botar pra fora uma solidão aquosa
desatinada...
Misturada a resquícios de desesperanças
Desesperos de pura comodidade
Silenciosos enjôos expelidos em pequenos
sonetos de ardor.
Só porque o que dói em mim nem tem nome:
o esquecimento dará conta de teu trágico fim
Lembranças estarão presentes
nos vasos em que vomito
E talvez dor alguma me faça renascer.
Não é bem na barriga
É um desfalecer de aura
Um sufocamento de desamparo
Frio qualquer de falta de alento.
Me deixo queimar por dentro
E botar pra fora uma solidão aquosa
desatinada...
Misturada a resquícios de desesperanças
Desesperos de pura comodidade
Silenciosos enjôos expelidos em pequenos
sonetos de ardor.
Só porque o que dói em mim nem tem nome:
o esquecimento dará conta de teu trágico fim
Lembranças estarão presentes
nos vasos em que vomito
E talvez dor alguma me faça renascer.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Fuga
Enquanto arrumo
meu vestido
Penso:
Preciso apenas
Não estar mais aqui.
Preciso de um lugar
Inóspito
Territótio antigo
inaudível
Qualquer lugar
entre a carne a terra
Qualquer lugar
Onde meu coração bata menos.
Preciso só não estar mais aqui.
Esquecer intuições e dores futuras
Responsabidades que delego
Em soluços, sem saber.
E procuro outros portos, alheia
Pois já não suporto mais a dor
De pequenas esperanças.
E ainda suplico
por olhos complacentes
E tropeços menores.
Pois sofro de doença incurável:
A verdade que aplaca os incertos
E afugenta os homens.
Peste que em qualquer tempo
Me negligencia.
E me atira em gangorras e feridas
Quando as explicações
São desnecessárias.
Porque necessário mesmo
É estar em qualquer lugar
Longe do gigantismo de minhas
Mesmices e vontades.
Longe de discretos sorrisos
E romantismos afins.
Longe dessa minha incorrigível
Vontade de ser feliz.
meu vestido
Penso:
Preciso apenas
Não estar mais aqui.
Preciso de um lugar
Inóspito
Territótio antigo
inaudível
Qualquer lugar
entre a carne a terra
Qualquer lugar
Onde meu coração bata menos.
Preciso só não estar mais aqui.
Esquecer intuições e dores futuras
Responsabidades que delego
Em soluços, sem saber.
E procuro outros portos, alheia
Pois já não suporto mais a dor
De pequenas esperanças.
E ainda suplico
por olhos complacentes
E tropeços menores.
Pois sofro de doença incurável:
A verdade que aplaca os incertos
E afugenta os homens.
Peste que em qualquer tempo
Me negligencia.
E me atira em gangorras e feridas
Quando as explicações
São desnecessárias.
Porque necessário mesmo
É estar em qualquer lugar
Longe do gigantismo de minhas
Mesmices e vontades.
Longe de discretos sorrisos
E romantismos afins.
Longe dessa minha incorrigível
Vontade de ser feliz.
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