domingo, 28 de abril de 2013

Segredo

Desde aquela noite
Tudo fez amanhecer em mim
Silenciosos vagalumes
Breve luz que antecipa
Meu primeiro sonho matinal
Idéias vibrantes
Tecidas em suaves respostas
Sem promessas nem preces.
Pontos alados
de gentilezas perfurantes.
Desde então moramos
na eternidade das palavras
Na silenciosa costura
que o mundo continua
Nas minhas íntimas gavetas
e no coração dos amantes.
Até hoje estou
me esvaindo em versos.
Como se habitasse
em meu peito a paz dos túmulos.
Então escrevo e reescrevo o amor
Em primeira pessoa
Sem a necessidade
de transformar em tu
O que já existe em nós.
Olho na estante e vejo
Que esse livro inacabado
Talvez seja marcação do
 Meu passo
O ressoar das batidas
Do meu coração desajeitado
Impresso em cada página.
O meu desejo disfarçado
de que tudo o que reflete de nós
Nunca termine.
E como se toda noite
Apagasse devagar
as palavras já escritas
Reescrevo nossa história
a cada encontro
Como se ela fosse
O meu mais antigo segredo
A primeira linha do meu livro
A venerável e última
obra da minha vida.

2 comentários:

  1. É impressionante a quantidade de sentimentos represados nas suas poesias! Você escreve muito bem! Parabéns pelo seu dom!

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    1. Obrigada pela atenção dedicada a minha poesia! Fico feliz que ela consiga chegar até você de uma forma positiva.

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