Habita em mim
A sílaba tônica do inconsciente
Monólogo que antecede a alegria
A preamar de meus anseios
De infância e orgasmo
Letras e notas sonoras navegantes
Ilumino e escrevo
Na página da minha saudade
Palavras ilegíveis de demora e espera
Sandices sedentas de sonhos e memórias
O hálito doce que inspiro e despejo
Fica em meu barco o eterno vazio
A presença do mar que me contamina
Uma totalidade imediata:
A capacidade absoluta
De preencher minhas entranhas.
Entrego a minha pele
Para guardar seus suores e tremores
E dizer em sussurros
O que não se pode dizer em grito
Ou correnteza
Em sopros e ondeios
de inocências múltiplas e lacrimais.
Não quero calcificar meus olhos
De possíveis porquês
Busco só a palavra exata
Que defina esse esvaziamento que completa.
Esvaziar-me por dentro é sorte
Sem doses e limites
Em simbiose
Como se fôssemos filhos
De estranhos silêncios.
E como se não fôssemos amantes
Não busco nomes ou explicações
Deixo o vento soprar nas velas de seus sabores
Nos rumores das brisas que me aliviam
E nos deixo habitar em oceanos profundos
De apenas poemas e sem fins.
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