Em dias incertos
Quero a fórmula de conter
Esse amor previsível
Prematuro e infante
Prenúncio de um ciclo
De buscas que findam agora.
Nesses dias chuvosos
Entre pingos e bocejos
Respiro a aliviante certeza
De total ausência de futuro
E a urgência dilacerante
De nossas mútuas salvações.
Venho desde sempre
Descortinando ilusões
Entre ontens e amanhãs
Sou apenas hoje:
Vestida e enfeitada
De doces momentos
Para anunciar a liberdade gritande
Que me amarra aos seus beijos.
Respiro um ar superior
De estranhezas e amanhecimentos
Sensibilidades letárgicas
em adormecimentos sutis...
Pois esse quase amor me encerra
Enterra metade
De meus medos e vazios
Adianta passos indecisos
E pinta minhas tardes
com tons de ternura.
Tudo o que suspeito entre nós
Me indica caminhos
Onde encontro meus lápis
e meus caderninhos de outrora.
E chego inevitavelmente
A qualquer verdade.
Entre lembranças e sorrisos
Safadezas e lágrimas
Vou anoitecendo por dentro
Revisitando aos poucos
Esse buraco negro de regresso
a mim mesma...
E vivo ainda uma década de alegrias
Quando reencontro o que sou e o que sinto
E tudo o que é capaz de despertar em meu peito
Esse tempo nefasto.
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