domingo, 15 de fevereiro de 2015
Bordados
Costuro enquanto
estilhaça o meu corpo
peito refeito e desfeito
com mil fios e trapos
Pequenos bordados
sangrantes
relatos
memorias indóceis
frívolo amor.
Tão fugaz
a felicidade em visita
ligeira
escapou-me às mãos
como as águas do mar
em tempo de senti-la
Escorrer
entre dedos cortantes
Sem promessa, vontade
pistas, verdades
Só a agulha que escreve
Essa dor à metade
Nauseante centelha
De inércia e espera.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Sobre o natural
Fundos são meus olhos
acostumados a noites perdidas
perdidos entre as folhas
das árvores
vozes de crianças
brisa de quintal.
Perdidos imaginando
seu peito devastado
a dor absoluta
memórias de horror.
E o que queima e arde
é uma lembrança translúcida
que chicoteia e esmiúça
a carne humana
que dilui e multiplica
a última lágrima represada.
Porque doer por si só
é absurdo
mas sangrar a dor do outro
é sobrenatural.
acostumados a noites perdidas
perdidos entre as folhas
das árvores
vozes de crianças
brisa de quintal.
Perdidos imaginando
seu peito devastado
a dor absoluta
memórias de horror.
E o que queima e arde
é uma lembrança translúcida
que chicoteia e esmiúça
a carne humana
que dilui e multiplica
a última lágrima represada.
Porque doer por si só
é absurdo
mas sangrar a dor do outro
é sobrenatural.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Festival
De passo em passo
Entre poças e tropeços
Peço ajuda aos meus pés
para que me perdoem
de ser assim:
Dançarina de erros
desastrada, desperdiçada
Esmiuçada, despedaçada
Criança perdida em sensações
sonhos e beijos
cachaças,braços e volantes
Esperanças...
Porque da vida e do corpo
eu digo que entendo
e meus pés me seguem!
Mas do abandono e da morte
meu coração congrega.
Entre poças e tropeços
Peço ajuda aos meus pés
para que me perdoem
de ser assim:
Dançarina de erros
desastrada, desperdiçada
Esmiuçada, despedaçada
Criança perdida em sensações
sonhos e beijos
cachaças,braços e volantes
Esperanças...
Porque da vida e do corpo
eu digo que entendo
e meus pés me seguem!
Mas do abandono e da morte
meu coração congrega.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Voz
Ela chegou
Como água rastejante
Em meu calcanhar
Subiu em minhas pernas
E enroscou-se como serpente
Em minhas entranhas
Perplexa
Diante de alma tão infantil
Arrebatou meus sonhos
Sentenciou meu ofício
E pôs os teus pés
À minha frente...
Desde então
Caminho em teus passos
Lentamente
Nutrindo-me de leite e sangue
Me equilibrando
Nas pedras de tua ausência
E nas águas de tua chegada
E como se já não fosse Ig
Apenas nascente do teu destino
Esqueço meu nome
Me defino única em seu timbre
Marco em gozo e em lágrima
O caminho inundado de tua língua
Até flutuar em qualquer gota
De medo e esperança
Até me perder
Na chuva de loucura
Que me trouxe a tua voz.
Como água rastejante
Em meu calcanhar
Subiu em minhas pernas
E enroscou-se como serpente
Em minhas entranhas
Perplexa
Diante de alma tão infantil
Arrebatou meus sonhos
Sentenciou meu ofício
E pôs os teus pés
À minha frente...
Desde então
Caminho em teus passos
Lentamente
Nutrindo-me de leite e sangue
Me equilibrando
Nas pedras de tua ausência
E nas águas de tua chegada
E como se já não fosse Ig
Apenas nascente do teu destino
Esqueço meu nome
Me defino única em seu timbre
Marco em gozo e em lágrima
O caminho inundado de tua língua
Até flutuar em qualquer gota
De medo e esperança
Até me perder
Na chuva de loucura
Que me trouxe a tua voz.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Sono
Continuaria dormindo
Não fosse essa lua
Que em brilho e ousadia
Gritasse em meu peito
Outra vez o teu nome
Contemplativa
Vejo teus olhos
Em céu estrelado
Ressoa a lua com seu lustre em canto
Anoitece a alma em tua lembrança
E silenciosa
Do fim ao começo
Me atinge o amanhecer
Confunde meus sonhos
Rabisca meus passos
Enfim adormeço
E o que sinto
Permanece
Vasto
Infinito
Inteiro
Profundo
Caminho
Iluminado
Sobreposto
Em minha vida
Adormecido em meus sapatos
Guardado em trapos
De bom sono
Só você me acalenta e me desperta
Habitante antigo
Do universo onírico
Do meu travesseiro.
Não fosse essa lua
Que em brilho e ousadia
Gritasse em meu peito
Outra vez o teu nome
Contemplativa
Vejo teus olhos
Em céu estrelado
Ressoa a lua com seu lustre em canto
Anoitece a alma em tua lembrança
E silenciosa
Do fim ao começo
Me atinge o amanhecer
Confunde meus sonhos
Rabisca meus passos
Enfim adormeço
E o que sinto
Permanece
Vasto
Infinito
Inteiro
Profundo
Caminho
Iluminado
Sobreposto
Em minha vida
Adormecido em meus sapatos
Guardado em trapos
De bom sono
Só você me acalenta e me desperta
Habitante antigo
Do universo onírico
Do meu travesseiro.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Lunática
Não determino hora
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades
Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão
Mas tudo o que respinga em mim
É palavra
Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão
E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam
Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades
Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão
Mas tudo o que respinga em mim
É palavra
Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão
E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam
Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sinceramente
Entre feiuras
E agruras
A desventura
E o tempo perdido
O coração se esconde
Em plena fuga
Diante do circo
Dos horrores
Um cão pulguento
Se encolhe
Atrás do poema
De um olhar que cintila
Mas a vida não gosta
De máscaras
E esconderijos
Secretos
Cedo ou tarde
Todo mundo se revela
Do jeito que realmente é:
Desfigurados rostos
Reféns do que não somos.
E agruras
A desventura
E o tempo perdido
O coração se esconde
Em plena fuga
Diante do circo
Dos horrores
Um cão pulguento
Se encolhe
Atrás do poema
De um olhar que cintila
Mas a vida não gosta
De máscaras
E esconderijos
Secretos
Cedo ou tarde
Todo mundo se revela
Do jeito que realmente é:
Desfigurados rostos
Reféns do que não somos.
Assinar:
Postagens (Atom)