Sabes meu encanto:
aquele de algum dia
sobrepor tua lembrança
reduzir a pó o sentimento
esquecer teus olhos
num instante.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Sobre o silêncio
Sorrateiro
Contido em gritos
Disfarçado de força
paz de espírito
Dor que lateja
Em volantes
e finos lençóis
Roupa de carne
já tão pesada
e esdrúxula
Quem és tu, minhas vestes?
De onde vens,meus disfarces?
Agora
quero mostrar a ferida
O sangue
a carne viva
o céu aberto
da boca em vício
o olho estéril
e o sonho alado!
Palavra não proferida
mata-me aos poucos
Reinventa a loucura
do obcecado apego
Corta-me os pulsos
essa voz debutante
Presa as cordas vocais
às primeiras vogais
do meu nome
à prontidão da bílis
e do vômito.
Contido em gritos
Disfarçado de força
paz de espírito
Dor que lateja
Em volantes
e finos lençóis
Roupa de carne
já tão pesada
e esdrúxula
Quem és tu, minhas vestes?
De onde vens,meus disfarces?
Agora
quero mostrar a ferida
O sangue
a carne viva
o céu aberto
da boca em vício
o olho estéril
e o sonho alado!
Palavra não proferida
mata-me aos poucos
Reinventa a loucura
do obcecado apego
Corta-me os pulsos
essa voz debutante
Presa as cordas vocais
às primeiras vogais
do meu nome
à prontidão da bílis
e do vômito.
Se a felicidade soubesse meu nome
e andasse de pronto
ondejante em meus mares
Me esvaziaria de incertezas
e me reduziria a algodão...
Voaria distante levada
por tempo soprado
Ao vento e ao solo
Destinada
À semente derradeira
plantada em pouco sangue...
E assim criada à pouca dor
e nenhuma espera
Deixaria imaculada
essa marca perfurada
Em minhas entranhas
E me faria outra:
Nunca mais seria
prisioneira
de nauseantes doçuras
e olhares infantes.
e andasse de pronto
ondejante em meus mares
Me esvaziaria de incertezas
e me reduziria a algodão...
Voaria distante levada
por tempo soprado
Ao vento e ao solo
Destinada
À semente derradeira
plantada em pouco sangue...
E assim criada à pouca dor
e nenhuma espera
Deixaria imaculada
essa marca perfurada
Em minhas entranhas
E me faria outra:
Nunca mais seria
prisioneira
de nauseantes doçuras
e olhares infantes.
Bordados
Costuro enquanto
estilhaça o meu corpo
peito refeito e desfeito
com mil fios e trapos
Pequenos bordados
sangrantes
relatos
memorias indóceis
frívolo amor.
Tão fugaz
a felicidade em visita
ligeira
escapou-me às mãos
como as águas do mar
em tempo de senti-la
Escorrer
entre dedos cortantes
Sem promessa, vontade
pistas, verdades
Só a agulha que escreve
Essa dor à metade
Nauseante centelha
De inércia e espera.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Sobre o natural
Fundos são meus olhos
acostumados a noites perdidas
perdidos entre as folhas
das árvores
vozes de crianças
brisa de quintal.
Perdidos imaginando
seu peito devastado
a dor absoluta
memórias de horror.
E o que queima e arde
é uma lembrança translúcida
que chicoteia e esmiúça
a carne humana
que dilui e multiplica
a última lágrima represada.
Porque doer por si só
é absurdo
mas sangrar a dor do outro
é sobrenatural.
acostumados a noites perdidas
perdidos entre as folhas
das árvores
vozes de crianças
brisa de quintal.
Perdidos imaginando
seu peito devastado
a dor absoluta
memórias de horror.
E o que queima e arde
é uma lembrança translúcida
que chicoteia e esmiúça
a carne humana
que dilui e multiplica
a última lágrima represada.
Porque doer por si só
é absurdo
mas sangrar a dor do outro
é sobrenatural.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Festival
De passo em passo
Entre poças e tropeços
Peço ajuda aos meus pés
para que me perdoem
de ser assim:
Dançarina de erros
desastrada, desperdiçada
Esmiuçada, despedaçada
Criança perdida em sensações
sonhos e beijos
cachaças,braços e volantes
Esperanças...
Porque da vida e do corpo
eu digo que entendo
e meus pés me seguem!
Mas do abandono e da morte
meu coração congrega.
Entre poças e tropeços
Peço ajuda aos meus pés
para que me perdoem
de ser assim:
Dançarina de erros
desastrada, desperdiçada
Esmiuçada, despedaçada
Criança perdida em sensações
sonhos e beijos
cachaças,braços e volantes
Esperanças...
Porque da vida e do corpo
eu digo que entendo
e meus pés me seguem!
Mas do abandono e da morte
meu coração congrega.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Voz
Ela chegou
Como água rastejante
Em meu calcanhar
Subiu em minhas pernas
E enroscou-se como serpente
Em minhas entranhas
Perplexa
Diante de alma tão infantil
Arrebatou meus sonhos
Sentenciou meu ofício
E pôs os teus pés
À minha frente...
Desde então
Caminho em teus passos
Lentamente
Nutrindo-me de leite e sangue
Me equilibrando
Nas pedras de tua ausência
E nas águas de tua chegada
E como se já não fosse Ig
Apenas nascente do teu destino
Esqueço meu nome
Me defino única em seu timbre
Marco em gozo e em lágrima
O caminho inundado de tua língua
Até flutuar em qualquer gota
De medo e esperança
Até me perder
Na chuva de loucura
Que me trouxe a tua voz.
Como água rastejante
Em meu calcanhar
Subiu em minhas pernas
E enroscou-se como serpente
Em minhas entranhas
Perplexa
Diante de alma tão infantil
Arrebatou meus sonhos
Sentenciou meu ofício
E pôs os teus pés
À minha frente...
Desde então
Caminho em teus passos
Lentamente
Nutrindo-me de leite e sangue
Me equilibrando
Nas pedras de tua ausência
E nas águas de tua chegada
E como se já não fosse Ig
Apenas nascente do teu destino
Esqueço meu nome
Me defino única em seu timbre
Marco em gozo e em lágrima
O caminho inundado de tua língua
Até flutuar em qualquer gota
De medo e esperança
Até me perder
Na chuva de loucura
Que me trouxe a tua voz.
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