Continuaria dormindo
Não fosse essa lua
Que em brilho e ousadia
Gritasse em meu peito
Outra vez o teu nome
Contemplativa
Vejo teus olhos
Em céu estrelado
Ressoa a lua com seu lustre em canto
Anoitece a alma em tua lembrança
E silenciosa
Do fim ao começo
Me atinge o amanhecer
Confunde meus sonhos
Rabisca meus passos
Enfim adormeço
E o que sinto
Permanece
Vasto
Infinito
Inteiro
Profundo
Caminho
Iluminado
Sobreposto
Em minha vida
Adormecido em meus sapatos
Guardado em trapos
De bom sono
Só você me acalenta e me desperta
Habitante antigo
Do universo onírico
Do meu travesseiro.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Lunática
Não determino hora
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades
Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão
Mas tudo o que respinga em mim
É palavra
Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão
E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam
Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.
Para a poesia do desamparo
Ela surge de repente
Disfarçada de sorriso
Em voz divinamente abafada
Deglutida em doses de agonia
Dissolvida em ásperas verdades
Deixo que anoiteça
A precipitada tristeza
Que amanhece na garganta
Pois em cada gole derramo
Veneno em gosto de esperança
Melancólica e sonora solidão
Mas tudo o que respinga em mim
É palavra
Só ela
Adormecida
Ou pronunciada
Cheirando a álcool
Destilada
Me define
Como a lua
Em desequilíbrio e escuridão
E como se fosse o avesso
Antagônica e incorrigível
Trago a noite inteira
Em minhas entranhas
O sol e as sílabas
em meus cabelos
E uma dor intensa
Me reparte em mil pedaços
De amores e certezas que cintilam
Meu peito: céu ferido e eternamente estrelado.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Sinceramente
Entre feiuras
E agruras
A desventura
E o tempo perdido
O coração se esconde
Em plena fuga
Diante do circo
Dos horrores
Um cão pulguento
Se encolhe
Atrás do poema
De um olhar que cintila
Mas a vida não gosta
De máscaras
E esconderijos
Secretos
Cedo ou tarde
Todo mundo se revela
Do jeito que realmente é:
Desfigurados rostos
Reféns do que não somos.
E agruras
A desventura
E o tempo perdido
O coração se esconde
Em plena fuga
Diante do circo
Dos horrores
Um cão pulguento
Se encolhe
Atrás do poema
De um olhar que cintila
Mas a vida não gosta
De máscaras
E esconderijos
Secretos
Cedo ou tarde
Todo mundo se revela
Do jeito que realmente é:
Desfigurados rostos
Reféns do que não somos.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Falta
Deixei meu olhar pendurado
Na janela da varanda
Esperando teus passos
Em sombra inteira
Estiquei meus braços
E com a alegria nos pés
Escorreguei à minha infância
Chovia fininho
Em céu estrelado
Cada gota molhava
Meu solo em pranto
Cheguei atrasada
Em minha própria morada
Tardia e singela
Fora minha esperança
Passei a cultivar
Meus jardins em peito aberto
Procurei tua boca
Em flores nascidas
De paz em paz
Regava meus sonhos
Até despencar
De vez nesta vida
Até hoje estou juntando
Pedaços de mim mesma
Procuro meus cacos
Confusa em cada esquina
Soletro meu nome
Quando o encontro é contínuo
Reconheço meu rosto
Em espelhos partidos
Até encontrar
A parte exata que me falta
Até descobrir
Que nada me completa.
Na janela da varanda
Esperando teus passos
Em sombra inteira
Estiquei meus braços
E com a alegria nos pés
Escorreguei à minha infância
Chovia fininho
Em céu estrelado
Cada gota molhava
Meu solo em pranto
Cheguei atrasada
Em minha própria morada
Tardia e singela
Fora minha esperança
Passei a cultivar
Meus jardins em peito aberto
Procurei tua boca
Em flores nascidas
De paz em paz
Regava meus sonhos
Até despencar
De vez nesta vida
Até hoje estou juntando
Pedaços de mim mesma
Procuro meus cacos
Confusa em cada esquina
Soletro meu nome
Quando o encontro é contínuo
Reconheço meu rosto
Em espelhos partidos
Até encontrar
A parte exata que me falta
Até descobrir
Que nada me completa.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Instante
Fugindo
de minhas palavras
Labaredas de
poesia cotidiana
O que antecede
a respiração
De todo instante
Sou toda
Momento...
Atemporizo
Me permito escapar
e adormeço
Para não ouvir
essa voz de permeio
Minha própria dor
Crepitante
O borbulhar na garganta
Um vento...
A desventura companheira
E relutante
Um sonho febril
Olhar infante
Para não teorizar sobre a vida
nem sobre você.
Não quero me encontrar
Em qualquer esquina
Fujo de mim nessas ruas vazias
De meu corpo solitário
Incompreendido
Coberto de desejo
Renascido em mil palavras...
Sou o instante
Aquele que te fita á porta
De minha espera
A voz que fala o seu nome
Em simples verso
O meu cantarolar
ao meio dia
Esse pestanejar
Entre a decepção
E a alegria.
de minhas palavras
Labaredas de
poesia cotidiana
O que antecede
a respiração
De todo instante
Sou toda
Momento...
Atemporizo
Me permito escapar
e adormeço
Para não ouvir
essa voz de permeio
Minha própria dor
Crepitante
O borbulhar na garganta
Um vento...
A desventura companheira
E relutante
Um sonho febril
Olhar infante
Para não teorizar sobre a vida
nem sobre você.
Não quero me encontrar
Em qualquer esquina
Fujo de mim nessas ruas vazias
De meu corpo solitário
Incompreendido
Coberto de desejo
Renascido em mil palavras...
Sou o instante
Aquele que te fita á porta
De minha espera
A voz que fala o seu nome
Em simples verso
O meu cantarolar
ao meio dia
Esse pestanejar
Entre a decepção
E a alegria.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Profecia
Quando já não valer a pena
Deixarei essa esperança
Estendida no varal
Fecharei delicadamente
A porta entreaberta
Atrás de mim
E darei voltas no mundo
Saltarei por imensos abismos
Sem apego aos seus braços
E tudo o que hoje em você
Me desperdiça
Já não arderá tanto...
O que em mim explode
Pulsa, derrama
Jamais despertará silêncio
Numa noite de angústia
O esquecimento não acorda
Com apenas um temporal
O amor fala mais alto
Solar, incandescente
Independente de chuvas sazonais
e tropeços de engano.
Deixarei essa esperança
Estendida no varal
Fecharei delicadamente
A porta entreaberta
Atrás de mim
E darei voltas no mundo
Saltarei por imensos abismos
Sem apego aos seus braços
E tudo o que hoje em você
Me desperdiça
Já não arderá tanto...
O que em mim explode
Pulsa, derrama
Jamais despertará silêncio
Numa noite de angústia
O esquecimento não acorda
Com apenas um temporal
O amor fala mais alto
Solar, incandescente
Independente de chuvas sazonais
e tropeços de engano.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Despedida
A última palavra é a despedida
Porque velei os meus olhos
Renunciei
Á beleza do olhar sobre a vida
E acreditei por um momento
que a verdade nunca existiu.
Achei que o que fosse raro
Mesmo que uma vez acabado
Fosse guardado num tempo
Entre o infinito e o espaço
e que nada ou ninguém
Fosse capaz de destruir
Aquilo que o universo
guardou um dia.
Como se não nos pertencesse
Como se a história
Fosse dona de si mesma...
Busquei o respeito
Senão a nós mesmos
Pelo menos que houvesse
Ao eterno bordado
em que teceram nossas vidas.
Nem que fosse ao costureiro
Que bordou nossa história!
Imaginei
Que revenciaríamos o destino
Esse eterno condutor
De causas desconhecidas
E tudo o que encontrei
Foram flores jogadas á minha cova
Por desconhecidos ignorantes
Que jamais sonharão
com as marcas e a direção
de nossos passos.
Acordei
Entre soluços
Para ver os brotos
Da desesperança nascerem
Para admirar a morte
de jardim tão florescido
Em amor e saudade
Carinho e desgraça.
Continuei dormindo
Para que talvez um dia
Volte a acreditar na vida
Lance-me em altares preciosos
para lavar minhas feridas
E curar os meus olhos
De vida, de beleza e de encontro.
Porque velei os meus olhos
Renunciei
Á beleza do olhar sobre a vida
E acreditei por um momento
que a verdade nunca existiu.
Achei que o que fosse raro
Mesmo que uma vez acabado
Fosse guardado num tempo
Entre o infinito e o espaço
e que nada ou ninguém
Fosse capaz de destruir
Aquilo que o universo
guardou um dia.
Como se não nos pertencesse
Como se a história
Fosse dona de si mesma...
Busquei o respeito
Senão a nós mesmos
Pelo menos que houvesse
Ao eterno bordado
em que teceram nossas vidas.
Nem que fosse ao costureiro
Que bordou nossa história!
Imaginei
Que revenciaríamos o destino
Esse eterno condutor
De causas desconhecidas
E tudo o que encontrei
Foram flores jogadas á minha cova
Por desconhecidos ignorantes
Que jamais sonharão
com as marcas e a direção
de nossos passos.
Acordei
Entre soluços
Para ver os brotos
Da desesperança nascerem
Para admirar a morte
de jardim tão florescido
Em amor e saudade
Carinho e desgraça.
Continuei dormindo
Para que talvez um dia
Volte a acreditar na vida
Lance-me em altares preciosos
para lavar minhas feridas
E curar os meus olhos
De vida, de beleza e de encontro.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Sempre
Minhas palavras
São insistentes
Não querem terminar
Em qualquer esquina
E se vacilam em curta estrada
Não se deixam enterrar por nada.
Tão diferentes de mim
Que fecho as portas
Á qualquer ruído de dor
Que fujo do abandono
Intuído
E já anuncio a renúncia
Mesmo antes de lutar.
Não quero destruir
Quero entrar e sair
da porta entreaberta
Descansar
em teu pequeno quarto
Sem mudar
qualquer móvel de lugar.
Em minha memória
Guardar os teus olhos
Romper o tempo minúsculo
Que nos fraciona em muitos
Impedir que o relógio
nos determine.
Não quero mexer
Em teus quadros
Quero apenas ver além
E ter o prazer de revisitar
Tua vida sempre.
Somos
Mesmo quando
Tudo em mim
vira silêncio
Tua voz ainda surge
Vibrante
Latejando
Em meus fins de semana
Vazios
Entre poucos e aparentes
passos
Em presentes encontros
Saudades aquecidas
Felizes minutos
De doce espera.
Meus pés silenciaram
Quando os teus
Puseram fim
às minhas andanças.
De andarilha
Passei a morar
em mim mesma
Me equibrando
Em peito aberto
Perto de teus caminhos
Sempre á frente
Da porta entreaberta
Que encontrei um dia.
Então entrei
Fixei morada em teu colo
Meus dedos descansaram
Em tua pele
E sentada nos bancos de areia
De tuas claras pernas
Quero falar de longas
ternuras
Sobre os estreitos
corredores
De nossa alegria.
E mal consigo articular
Uma palavra
Apenas desejo
E sinto
Sou
Somos.
Tudo em mim
vira silêncio
Tua voz ainda surge
Vibrante
Latejando
Em meus fins de semana
Vazios
Entre poucos e aparentes
passos
Em presentes encontros
Saudades aquecidas
Felizes minutos
De doce espera.
Meus pés silenciaram
Quando os teus
Puseram fim
às minhas andanças.
De andarilha
Passei a morar
em mim mesma
Me equibrando
Em peito aberto
Perto de teus caminhos
Sempre á frente
Da porta entreaberta
Que encontrei um dia.
Então entrei
Fixei morada em teu colo
Meus dedos descansaram
Em tua pele
E sentada nos bancos de areia
De tuas claras pernas
Quero falar de longas
ternuras
Sobre os estreitos
corredores
De nossa alegria.
E mal consigo articular
Uma palavra
Apenas desejo
E sinto
Sou
Somos.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Visita
Prefiro a solidão
Permanente
Que a incerteza
De encantamento
A pobre sina
Da infelicidade
Acompanhada.
Por isso te guardo
Como te aguardo
Desacompanhada
De alianças
Sobrenomes
Ou notícias
Estampadas
Em memórias alheias.
Visita-me completamente
Em cada cômodo
Do meu sorriso
Em cada varanda
Do meu olhar de espera
E habita a minha casa
Silenciosa
Com o barulho
Dos seus passos
À minha porta
Com o murmúrio
Da correnteza
Que me conduz
Á sua voz
E arrasta meus pés
Desventuras
Compromissos
Vestidos
Armaduras:
Ser sua é conceder visita
A mais pura alegria.
Permanente
Que a incerteza
De encantamento
A pobre sina
Da infelicidade
Acompanhada.
Por isso te guardo
Como te aguardo
Desacompanhada
De alianças
Sobrenomes
Ou notícias
Estampadas
Em memórias alheias.
Visita-me completamente
Em cada cômodo
Do meu sorriso
Em cada varanda
Do meu olhar de espera
E habita a minha casa
Silenciosa
Com o barulho
Dos seus passos
À minha porta
Com o murmúrio
Da correnteza
Que me conduz
Á sua voz
E arrasta meus pés
Desventuras
Compromissos
Vestidos
Armaduras:
Ser sua é conceder visita
A mais pura alegria.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Proibido
Deixo o futuro pra depois
Porque o presente me completa
Ele fala bem alto em meus suspiros
E me espera em noites de sono
E de sonho acordado.
Hoje, não sei onde chegar
Por isso caminho sem pressa
Um dia de cada vez
Cada andança, um recomeço
Cada passo, uma saudade.
De repente
Minha dor ficou pequena
Depois de você
Tudo em mim fala baixinho
Sussurra em meus passos
Um derramar de caminhos
Cubro-me com os lenços
de tantos instantes.
Cedo, só esse amor insiste em gritar!
E como quem não espera nada
Senão a morte
Desenterro minhas últimas ambições:
Tão simples são meus sonhos
Tão persuasivas são as minhas vontades.
Só quero
que sua luz permaneça
brilhante em meus olhos
Que esse saborear lacrimal
Seja doce e intenso
E que tudo mais que nos resta
Seja eternamente proibido.
Porque o presente me completa
Ele fala bem alto em meus suspiros
E me espera em noites de sono
E de sonho acordado.
Hoje, não sei onde chegar
Por isso caminho sem pressa
Um dia de cada vez
Cada andança, um recomeço
Cada passo, uma saudade.
De repente
Minha dor ficou pequena
Depois de você
Tudo em mim fala baixinho
Sussurra em meus passos
Um derramar de caminhos
Cubro-me com os lenços
de tantos instantes.
Cedo, só esse amor insiste em gritar!
E como quem não espera nada
Senão a morte
Desenterro minhas últimas ambições:
Tão simples são meus sonhos
Tão persuasivas são as minhas vontades.
Só quero
que sua luz permaneça
brilhante em meus olhos
Que esse saborear lacrimal
Seja doce e intenso
E que tudo mais que nos resta
Seja eternamente proibido.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Sonho
Meu sono abriga um mar inteiro
Durmo em canoas íntimas
Balançando em nauseantes sonhos
Tentativas fantásticas de mergulho
Pescando palavras silenciosas e submersas.
Sempre tento lembrar de calmarias e amparos
E o que encontro são ondas imensas
Gotejantes tristezas e alegrias incertas
Me desequilibro a cada minuto
E quando toco o último verso
Busco apenas uma frase que defina
Esse abortamento de verdades.
Sinto que caio, vacilo e então desperto:
Onde foram parar as palavras que te disse um dia?
Revisito meus baús e os encontro tão vazios
Vazios de seus olhos e de suas permanências
Entristecidos de ausência de loucura
Revestidos de bordados desfeitos em pedaços.
A vida apagou nossos nomes dos livros
Em que adormecemos
Riscaram linhas de capítulos esquecidos
O mar encobriu com suas águas as últimas pegadas
Da areia em que meus pés pisaram
E os ventos que guardavam minhas lembranças
Sopraram para um tempo que nunca existiu.
Me assombro
Com a invisibilidade de nossa história
Porque na verdade ela nunca existiu:
Foi apenas um sonho.
Então sepulto seu nome
Nas tábuas rentes do meu barco
Navegando em realidade distante e absoluta.
Durmo em canoas íntimas
Balançando em nauseantes sonhos
Tentativas fantásticas de mergulho
Pescando palavras silenciosas e submersas.
Sempre tento lembrar de calmarias e amparos
E o que encontro são ondas imensas
Gotejantes tristezas e alegrias incertas
Me desequilibro a cada minuto
E quando toco o último verso
Busco apenas uma frase que defina
Esse abortamento de verdades.
Sinto que caio, vacilo e então desperto:
Onde foram parar as palavras que te disse um dia?
Revisito meus baús e os encontro tão vazios
Vazios de seus olhos e de suas permanências
Entristecidos de ausência de loucura
Revestidos de bordados desfeitos em pedaços.
A vida apagou nossos nomes dos livros
Em que adormecemos
Riscaram linhas de capítulos esquecidos
O mar encobriu com suas águas as últimas pegadas
Da areia em que meus pés pisaram
E os ventos que guardavam minhas lembranças
Sopraram para um tempo que nunca existiu.
Me assombro
Com a invisibilidade de nossa história
Porque na verdade ela nunca existiu:
Foi apenas um sonho.
Então sepulto seu nome
Nas tábuas rentes do meu barco
Navegando em realidade distante e absoluta.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Inútil
Desci as íngremes montanhas
Do aconchego
Trazendo no corpo
Questões flamejantes
Saudades líquidas
E pés descalços.
No olhar, seu sorriso
Na alma, o calor
Torturante
De oscilantes permanências.
Venho de cenários rasos:
Praias destiladas
Planícies intencionais
E muita luz
Em tempo obscuro.
Fotofóbica
Deixo pra trás
Cálidos momentos
Reabasteço memórias
Habito outros mundos
E ao dar adeus à névoa
Que me confundia
Descubro que amar é renúncia
Que ausência é encontro
E que é tão inútil partir.
Do aconchego
Trazendo no corpo
Questões flamejantes
Saudades líquidas
E pés descalços.
No olhar, seu sorriso
Na alma, o calor
Torturante
De oscilantes permanências.
Venho de cenários rasos:
Praias destiladas
Planícies intencionais
E muita luz
Em tempo obscuro.
Fotofóbica
Deixo pra trás
Cálidos momentos
Reabasteço memórias
Habito outros mundos
E ao dar adeus à névoa
Que me confundia
Descubro que amar é renúncia
Que ausência é encontro
E que é tão inútil partir.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Palavras
Ando sempre em busca de palavras
Sentinelas de asperezas ou sorrisos
Recadeiros de pequenos verões
E imensos outonos...
O inverno é minha estação habitual
Estou sempre acomodada
Num frio de inércia
Ou petrificada de tristeza e saudade.
Mergulhada em rios e mares particulares
Chorando chuvas passageiras
De sensíveis verdades.
Palavras...
Guardiãs das primaveras cíclicas
De minha alma
Companheiras de cultivo
Dos meus imensos jardins.
Procuro enfim, seus rastros e sementes
Para que transcrevam minha loucura
em rastejantes raízes
Fixem meu ser em simples biografia
me esperem em qualquer parte do tempo
E me libertem de prematuros e similares
Amores-perfeitos.
Sentinelas de asperezas ou sorrisos
Recadeiros de pequenos verões
E imensos outonos...
O inverno é minha estação habitual
Estou sempre acomodada
Num frio de inércia
Ou petrificada de tristeza e saudade.
Mergulhada em rios e mares particulares
Chorando chuvas passageiras
De sensíveis verdades.
Palavras...
Guardiãs das primaveras cíclicas
De minha alma
Companheiras de cultivo
Dos meus imensos jardins.
Procuro enfim, seus rastros e sementes
Para que transcrevam minha loucura
em rastejantes raízes
Fixem meu ser em simples biografia
me esperem em qualquer parte do tempo
E me libertem de prematuros e similares
Amores-perfeitos.
sábado, 15 de junho de 2013
Busca
Ingrata certeza
De cortar-me em mil pedaços
Juntar-me todos os dias
E ainda assim
Não ser o suficiente
Para me sentir inteira...
Que completude
É essa em que esbarro
nas esperançosas esquinas
dessa cidade subterrânea
Chamada nostalgia?
Que merecimento
me aguarda
Sem legitimar
o absurdo?
Só sei
dessa linha imaginária
Entre dúvida e certeza...
E então me sinto intrusa
E inocente
Despedaçada indigente
Buscando só me recompor.
De cortar-me em mil pedaços
Juntar-me todos os dias
E ainda assim
Não ser o suficiente
Para me sentir inteira...
Que completude
É essa em que esbarro
nas esperançosas esquinas
dessa cidade subterrânea
Chamada nostalgia?
Que merecimento
me aguarda
Sem legitimar
o absurdo?
Só sei
dessa linha imaginária
Entre dúvida e certeza...
E então me sinto intrusa
E inocente
Despedaçada indigente
Buscando só me recompor.
Fim
Até hoje estou morando
No universo da atitude
Sem pensar nas distantes
perguntas que me fiz
Nos minutos infinitos
Que eternizaram
aquele instante...
Em nítida certeza
E perfurante desamparo
Me vi descalça
Nas ruas do meu desejo
Vagando em cada verso
No rabisco desse traço
Quase vacilo
Retomo o ar e continuo
em meu compasso
Me equilibro em possibilidades
E enxergo em nosso beijo
Um simples e sincero
Ponto final.
No universo da atitude
Sem pensar nas distantes
perguntas que me fiz
Nos minutos infinitos
Que eternizaram
aquele instante...
Em nítida certeza
E perfurante desamparo
Me vi descalça
Nas ruas do meu desejo
Vagando em cada verso
No rabisco desse traço
Quase vacilo
Retomo o ar e continuo
em meu compasso
Me equilibro em possibilidades
E enxergo em nosso beijo
Um simples e sincero
Ponto final.
Morte
Talvez não fosse preciso
Sangrar
Mas cada olhar
De tua dúvida
Me atinge como um disparo
Arrebata meus anseios
Põe meus pássaros na gaiola
E esse ar protocolar
Que desperdiça
Meu calor infantil
Me fala de ausências...
Me deixo morrer
Para me recolher
Ao mundo solitário
De vasto sentimento
Porque talvez
Essa dor
Não seja uma escolha
Seja apenas caminho
Sangrento de castigos
Seja a sentença de morte
Que carrego em meu peito
Por ser alheia ao que é óbvio
E tão obscuro em você.
Sangrar
Mas cada olhar
De tua dúvida
Me atinge como um disparo
Arrebata meus anseios
Põe meus pássaros na gaiola
E esse ar protocolar
Que desperdiça
Meu calor infantil
Me fala de ausências...
Me deixo morrer
Para me recolher
Ao mundo solitário
De vasto sentimento
Porque talvez
Essa dor
Não seja uma escolha
Seja apenas caminho
Sangrento de castigos
Seja a sentença de morte
Que carrego em meu peito
Por ser alheia ao que é óbvio
E tão obscuro em você.
Pouco amor
Esconder vestígios
Me faz chorar
Porque cada ação
Impensada e desmedida
Revela uma intenção
Apurada e encoberta.
Amplitudes
São reveladas
em pequenos estalos
Um murmurar de vazios
Desliza em meu peito
E derrama minha tristeza
na alvura dos papéis
e na linha azul
em que teço minha mágoa.
Guardo dentro de mim
O impossível
A libertária palavra
Do poema manuscrito
em gotas lacrimais
E assim como me ganham
Alguns silêncios
E pequenas doçuras
Me perdem pra sempre
Olhares cômodos e
Pouco amor.
Me faz chorar
Porque cada ação
Impensada e desmedida
Revela uma intenção
Apurada e encoberta.
Amplitudes
São reveladas
em pequenos estalos
Um murmurar de vazios
Desliza em meu peito
E derrama minha tristeza
na alvura dos papéis
e na linha azul
em que teço minha mágoa.
Guardo dentro de mim
O impossível
A libertária palavra
Do poema manuscrito
em gotas lacrimais
E assim como me ganham
Alguns silêncios
E pequenas doçuras
Me perdem pra sempre
Olhares cômodos e
Pouco amor.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Prece
Ando contemplativa
Humanizada
Suspirando demais
Dando sinuosos passos
Em torno de um pequeno
abismo.
Caminhante
de sucessivas palavras
Apresso meu passo
Para caber em seu espaço
Pois essa cratera em meu peito
É apenas uma prece
Que ecoa em sentimento
De mútua salvação.
Como se não morasse
Em nossos porquês
Busco até hoje
O caminho que me traga
De volta a mim mesma.
Que pare de brincar
com essas ligeiras sementes
Que brotam em meus pés.
Que reflita em meus espelhos
Apenas o meu rosto
E acabe com a sua
marcante presença
em meu mundo absoluto.
Ando distante do meu ego
Querendo ser você
Em dias amenos
E ardendo em minúsculas
E poucas ambições.
Como quando criança
Onde meu desejo habitava
No intervalo entre o riso e o vento
Até te conhecer...
Hoje, o que mais me fascina
É escorregar em seu colo
Como no balanço do parque
De minha lembrança infantil.
Na euforia da queda
Busco até hoje
A sua maneira de me tocar
O prazer duradouro
de sua presença.
Então rezo
Para que me traga o aroma
De seus dedos
Seu toque de suor
sua língua de vertigem...
Para que toquem os meus acordes
E me acalmem dessa guerra
Ininterrupta
De tentar te esquecer.
Acredito apenas nesta prece
Para que se aquiete
em minhas entranhas
Sopre constantes
Canções em meus ouvidos
E contenha as águas revoltas
Que trago em meu nome.
Humanizada
Suspirando demais
Dando sinuosos passos
Em torno de um pequeno
abismo.
Caminhante
de sucessivas palavras
Apresso meu passo
Para caber em seu espaço
Pois essa cratera em meu peito
É apenas uma prece
Que ecoa em sentimento
De mútua salvação.
Como se não morasse
Em nossos porquês
Busco até hoje
O caminho que me traga
De volta a mim mesma.
Que pare de brincar
com essas ligeiras sementes
Que brotam em meus pés.
Que reflita em meus espelhos
Apenas o meu rosto
E acabe com a sua
marcante presença
em meu mundo absoluto.
Ando distante do meu ego
Querendo ser você
Em dias amenos
E ardendo em minúsculas
E poucas ambições.
Como quando criança
Onde meu desejo habitava
No intervalo entre o riso e o vento
Até te conhecer...
Hoje, o que mais me fascina
É escorregar em seu colo
Como no balanço do parque
De minha lembrança infantil.
Na euforia da queda
Busco até hoje
A sua maneira de me tocar
O prazer duradouro
de sua presença.
Então rezo
Para que me traga o aroma
De seus dedos
Seu toque de suor
sua língua de vertigem...
Para que toquem os meus acordes
E me acalmem dessa guerra
Ininterrupta
De tentar te esquecer.
Acredito apenas nesta prece
Para que se aquiete
em minhas entranhas
Sopre constantes
Canções em meus ouvidos
E contenha as águas revoltas
Que trago em meu nome.
sábado, 25 de maio de 2013
Mil desculpas
Desculpe a minha indelicadeza
De não saber sentir
Com os teus olhos.
Sei tanto de mim
Que posso esquecer
de te olhar de perto.
Só sei ver
com minha masculinidade
Obtusa,obscura e obscena.
Desculpe por crer na mágica
maciez do encontro
E no porvir em sentimentos
gerados por ele.
Pois quando penso que
Andarei armada de cinismo
para nunca mais sucumbir
à credulidade,
trago tatuada no corpo uma fé
imediata, imaculada e indecente.
Desculpe por achar
Que o seu silêncio
é uma resposta intuída.
Por guardar em meus lençóis
as palavras que te diria
todas as noites.
Por faltar-me tranquilidade
para lidar com o empréstimo
do que amo,do que quero e que não possuo.
Me perdoe
Por faltar-me a paz necessária
para aceitar meu destino.
Por resguardar minha alegria
Através de gripes e alergias
para acalentar meu ego de menina
E me sentir protegida e ainda assim preterida.
- Preferida prostituta sem beijo na boca.
Pois tudo o que pulsa cabe dentro de mim
Sempre, quanto e sem fim.
Por isso preciso viajar
Para expulsar todas essas culpas
E me perdoar num passo inacabado,
Em outro contexto,talvez mais leve e menos denso.
Menos meu,menos seu e mais nosso.
De não saber sentir
Com os teus olhos.
Sei tanto de mim
Que posso esquecer
de te olhar de perto.
Só sei ver
com minha masculinidade
Obtusa,obscura e obscena.
Desculpe por crer na mágica
maciez do encontro
E no porvir em sentimentos
gerados por ele.
Pois quando penso que
Andarei armada de cinismo
para nunca mais sucumbir
à credulidade,
trago tatuada no corpo uma fé
imediata, imaculada e indecente.
Desculpe por achar
Que o seu silêncio
é uma resposta intuída.
Por guardar em meus lençóis
as palavras que te diria
todas as noites.
Por faltar-me tranquilidade
para lidar com o empréstimo
do que amo,do que quero e que não possuo.
Me perdoe
Por faltar-me a paz necessária
para aceitar meu destino.
Por resguardar minha alegria
Através de gripes e alergias
para acalentar meu ego de menina
E me sentir protegida e ainda assim preterida.
- Preferida prostituta sem beijo na boca.
Pois tudo o que pulsa cabe dentro de mim
Sempre, quanto e sem fim.
Por isso preciso viajar
Para expulsar todas essas culpas
E me perdoar num passo inacabado,
Em outro contexto,talvez mais leve e menos denso.
Menos meu,menos seu e mais nosso.
Nossa poesia
Essa
poesia nossa de cada dia
É um simples
Divagar
Imaginar lentamente
O que devagar me acompanha.
Me continua, me conduz...
Suspiro que me enche os olhos
E me transcende.
Divago e indago
O que é o não querer.
Onde habita o desgosto e o desuso
Pois tudo em nós é querer
É luzir,usar e poetizar.
A poesia de hoje
É o suspiro de ontem
As lágrimas de amanhã
E são seculares as minhas palavras
Assim como os sentimentos que as acompanham.
Novos enredos
sentenciarão as palavras que escrevo.
Tecerei teias menores de desatino e desconcerto
E ordenarei em nome do amor
Que a nossa poesia persista.
Então escreverei
Nos escreveremos
em linhas particulares
Aquilo que não tem nome
E não se enquadra.
O que paira no ar da incerteza
Em delicadeza e perplexidade.
Adoeceria se não conhecesse seu nome
Pois tudo o que nos implica, que nos explica
E nos deixa nus:
É a nossa poesia.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Funeral
Acordei
Teus olhos me fitavam
como se eu fosse uma estranha
Aquela carne esmaecida num caixão...
Flores cheiravam a suor e alfazema
O sol era tão quente a ponto de ferver
Uma última gota de meu sangue...
A paralisia do meu corpo
não me torturava
Só teus olhos de despedida
me feriam pouco a pouco...
Não proferi mentalmente
qualquer palavra
Minha boca imóvel
Estava imune a qualquer
crime hediondo
Desses que cometia sempre:
O de dizer que de fato te amo.
Mas qualquer lembrança
Te fez sentir minha risada.
Aquela que gritava em meu peito
Toda vez que te via...
E mesmo inerte, triunfava por dentro
Numa euforia latejante.
Qualquer lampejo de ternura
te fez lembrar do meu sorriso.
Então pensei:
O que posso fazer se já estou morta?
Sei que só posso sentir...
Senti o ar frio de seu esquecimento
em cada lágrima intuída...
Convulsionei de tristeza
Ao reconstituir meus anseios...
Sua língua nessas pernas e seios
Acostumados aos seus beijos de amparo.
Então lembrei
Diante de seu indiferente olhar
De um preparo habitual...
Um ritual de longa entrega:
Vestia-me e perfumava-me
para te entregar meus cheiros.
Como se cantarolasse uma canção
sempre inacabada.
Hoje, entrego-me sob minhas vestes fúnebres
Para que jamais se lembre do meu nome
E siga seu destino em paz absoluta.
Apodreço de paixão
Porque minha morte é essa espera de pavor
Um enterro diário de muitos sentimentos
Esse alvorecer recluso em meu peito...
De entregar-me à terra a ponto de ser tragada por ela
E entregar-me a ti a ponto de querer ser esquecida.
Amar talvez seja abandonar a vida.
E morrer numa absurda realidade
de vazios dolorosos ultracoloridos
e explosivas alegrias inebriantes e fatais.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Memórias
Tenho novidades:
Tão grandes
quanto os mares
que abrigam o meu silêncio
e a infinidade de palavras
que não pronuncio.
Essas que navegam a esmo
Em meu estômago vazio
Engolidas no susto de impotência imediata.
-Barcos errantes procuram seus destinos...
Os portos já não os aguardam
Esperançosas cargas se diluem no tempo
Roteiros sem sentido atravessam meus olhos
E tudo se desfaz em constante partida.
-Viagens nauseantes desse sangue indefinido...
Veja que tudo em mim
Tem uma própria morada:
Da boca entreaberta
intuindo a coragem
Até as palavras que nunca direi.
No escuro em que moram
Minhas cartas perdidas
Recebo suas ideias de presente.
Entrecortados versos querem ressoar
Então afino nosso arranjo
Em voz de intimidade
Com a urgência
De quem adormece
nas profundezas da terra ou do mar.
Porque em palavras fugazes
E previstos funerais nos acostumamos.
- Línguas se curvam para o triunfo do verbo...
Até que a renúncia
Acaba por roubar de uma vez o meu timbre.
Me deixa a deriva para encontrar seus abraços
Sopram sem vírgulas e de repente
Sonoros desencontros
-Silabando por dentro ridículas e indispensáveis memórias.
Tão grandes
quanto os mares
que abrigam o meu silêncio
e a infinidade de palavras
que não pronuncio.
Essas que navegam a esmo
Em meu estômago vazio
Engolidas no susto de impotência imediata.
-Barcos errantes procuram seus destinos...
Os portos já não os aguardam
Esperançosas cargas se diluem no tempo
Roteiros sem sentido atravessam meus olhos
E tudo se desfaz em constante partida.
-Viagens nauseantes desse sangue indefinido...
Veja que tudo em mim
Tem uma própria morada:
Da boca entreaberta
intuindo a coragem
Até as palavras que nunca direi.
No escuro em que moram
Minhas cartas perdidas
Recebo suas ideias de presente.
Entrecortados versos querem ressoar
Então afino nosso arranjo
Em voz de intimidade
Com a urgência
De quem adormece
nas profundezas da terra ou do mar.
Porque em palavras fugazes
E previstos funerais nos acostumamos.
- Línguas se curvam para o triunfo do verbo...
Até que a renúncia
Acaba por roubar de uma vez o meu timbre.
Me deixa a deriva para encontrar seus abraços
Sopram sem vírgulas e de repente
Sonoros desencontros
-Silabando por dentro ridículas e indispensáveis memórias.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Suspiro
Não se importe
com meu jeito encabulado
Ele apenas mascara
olhos lascivos de desejo
Obsessões particulares
bem distribuídas
E esconde a aliteração
de meus passos e memórias.
Meus olhos represam
Oceanos inteiros
Contidos em íntimos quartos.
Sempre à espera de tormentas
Que os libertem
De outros mares que os acolham
E arrebentem minhas portas.
Se importe apenas
Com esse tempo nublado
De áspera incerteza
Que me transforma
Em calmaria por fora
E tempestade por dentro
Em espectadora
de mim mesma.
Que atira meus sonhos
Em valas comuns
e corta meus pulsos
em certos milímetros.
Mas há um último suspiro:
Ainda trago nos olhos
algo que cintila em frestas possíveis
E pousa em palavras medianas.
Por isso acautela-te apenas
de meu silêncio
Pois ele não crê em mais nada
Além do que sinto.
com meu jeito encabulado
Ele apenas mascara
olhos lascivos de desejo
Obsessões particulares
bem distribuídas
E esconde a aliteração
de meus passos e memórias.
Meus olhos represam
Oceanos inteiros
Contidos em íntimos quartos.
Sempre à espera de tormentas
Que os libertem
De outros mares que os acolham
E arrebentem minhas portas.
Se importe apenas
Com esse tempo nublado
De áspera incerteza
Que me transforma
Em calmaria por fora
E tempestade por dentro
Em espectadora
de mim mesma.
Que atira meus sonhos
Em valas comuns
e corta meus pulsos
em certos milímetros.
Mas há um último suspiro:
Ainda trago nos olhos
algo que cintila em frestas possíveis
E pousa em palavras medianas.
Por isso acautela-te apenas
de meu silêncio
Pois ele não crê em mais nada
Além do que sinto.
domingo, 28 de abril de 2013
Segredo
Desde aquela noite
Tudo fez amanhecer em mim
Silenciosos vagalumes
Breve luz que antecipa
Meu primeiro sonho matinal
Idéias vibrantes
Tecidas em suaves respostas
Sem promessas nem preces.
Pontos alados
de gentilezas perfurantes.
Desde então moramos
na eternidade das palavras
Na silenciosa costura
que o mundo continua
Nas minhas íntimas gavetas
e no coração dos amantes.
Até hoje estou
me esvaindo em versos.
Como se habitasse
em meu peito a paz dos túmulos.
Então escrevo e reescrevo o amor
Em primeira pessoa
Sem a necessidade
de transformar em tu
O que já existe em nós.
Olho na estante e vejo
Que esse livro inacabado
Talvez seja marcação do
Meu passo
O ressoar das batidas
Do meu coração desajeitado
Impresso em cada página.
O meu desejo disfarçado
de que tudo o que reflete de nós
Nunca termine.
E como se toda noite
Apagasse devagar
as palavras já escritas
Reescrevo nossa história
a cada encontro
Como se ela fosse
O meu mais antigo segredo
A primeira linha do meu livro
A venerável e última
obra da minha vida.
Tudo fez amanhecer em mim
Silenciosos vagalumes
Breve luz que antecipa
Meu primeiro sonho matinal
Idéias vibrantes
Tecidas em suaves respostas
Sem promessas nem preces.
Pontos alados
de gentilezas perfurantes.
Desde então moramos
na eternidade das palavras
Na silenciosa costura
que o mundo continua
Nas minhas íntimas gavetas
e no coração dos amantes.
Até hoje estou
me esvaindo em versos.
Como se habitasse
em meu peito a paz dos túmulos.
Então escrevo e reescrevo o amor
Em primeira pessoa
Sem a necessidade
de transformar em tu
O que já existe em nós.
Olho na estante e vejo
Que esse livro inacabado
Talvez seja marcação do
Meu passo
O ressoar das batidas
Do meu coração desajeitado
Impresso em cada página.
O meu desejo disfarçado
de que tudo o que reflete de nós
Nunca termine.
E como se toda noite
Apagasse devagar
as palavras já escritas
Reescrevo nossa história
a cada encontro
Como se ela fosse
O meu mais antigo segredo
A primeira linha do meu livro
A venerável e última
obra da minha vida.
Ode à verdade
Hoje estou insana
Falei uma palavra proibida
Saíram da garganta pequenos
Pássaros assustados
Borboletas flutuantes
Sopro de constante brisa
E me senti leve como um malmequer.
Mas ninguém percebeu assim.
O mundo inteiro
Sentiu uma facada no peito
Um sangrar desatinado
Que saiu como um tiro
da boca maldita que a palavra libertou.
Liberta-me palavra louca
Para que jamais assassine meus sentimentos
E mesmo que todos tombem aos meus pés
Ou carreguem pesos insuportáveis
Me deixe escutar a mim mesma pelo menos uma vez!
E de gritos sussurrantes e bocejos caudalosos
O mundo multiplica suas mentiras
Verdades são dardos venenosos
com capacidade de aturdir intelectuais e religiosos
Ateus e mendigos... Homens, mulheres e afins.
Em vãos momentos
E maus bocados
Vamos cedendo espaços
Para o quase, o não é bem assim
O mais ou menos.
Até chegar o dia em que a verdade
Torna-se crime brutal
Inafiançável
Como esse indizível: Eu te amo.
Falei uma palavra proibida
Saíram da garganta pequenos
Pássaros assustados
Borboletas flutuantes
Sopro de constante brisa
E me senti leve como um malmequer.
Mas ninguém percebeu assim.
O mundo inteiro
Sentiu uma facada no peito
Um sangrar desatinado
Que saiu como um tiro
da boca maldita que a palavra libertou.
Liberta-me palavra louca
Para que jamais assassine meus sentimentos
E mesmo que todos tombem aos meus pés
Ou carreguem pesos insuportáveis
Me deixe escutar a mim mesma pelo menos uma vez!
E de gritos sussurrantes e bocejos caudalosos
O mundo multiplica suas mentiras
Verdades são dardos venenosos
com capacidade de aturdir intelectuais e religiosos
Ateus e mendigos... Homens, mulheres e afins.
Em vãos momentos
E maus bocados
Vamos cedendo espaços
Para o quase, o não é bem assim
O mais ou menos.
Até chegar o dia em que a verdade
Torna-se crime brutal
Inafiançável
Como esse indizível: Eu te amo.
Tempo
Em dias incertos
Quero a fórmula de conter
Esse amor previsível
Prematuro e infante
Prenúncio de um ciclo
De buscas que findam agora.
Nesses dias chuvosos
Entre pingos e bocejos
Respiro a aliviante certeza
De total ausência de futuro
E a urgência dilacerante
De nossas mútuas salvações.
Venho desde sempre
Descortinando ilusões
Entre ontens e amanhãs
Sou apenas hoje:
Vestida e enfeitada
De doces momentos
Para anunciar a liberdade gritande
Que me amarra aos seus beijos.
Respiro um ar superior
De estranhezas e amanhecimentos
Sensibilidades letárgicas
em adormecimentos sutis...
Pois esse quase amor me encerra
Enterra metade
De meus medos e vazios
Adianta passos indecisos
E pinta minhas tardes
com tons de ternura.
Tudo o que suspeito entre nós
Me indica caminhos
Onde encontro meus lápis
e meus caderninhos de outrora.
E chego inevitavelmente
A qualquer verdade.
Entre lembranças e sorrisos
Safadezas e lágrimas
Vou anoitecendo por dentro
Revisitando aos poucos
Esse buraco negro de regresso
a mim mesma...
E vivo ainda uma década de alegrias
Quando reencontro o que sou e o que sinto
E tudo o que é capaz de despertar em meu peito
Esse tempo nefasto.
Quero a fórmula de conter
Esse amor previsível
Prematuro e infante
Prenúncio de um ciclo
De buscas que findam agora.
Nesses dias chuvosos
Entre pingos e bocejos
Respiro a aliviante certeza
De total ausência de futuro
E a urgência dilacerante
De nossas mútuas salvações.
Venho desde sempre
Descortinando ilusões
Entre ontens e amanhãs
Sou apenas hoje:
Vestida e enfeitada
De doces momentos
Para anunciar a liberdade gritande
Que me amarra aos seus beijos.
Respiro um ar superior
De estranhezas e amanhecimentos
Sensibilidades letárgicas
em adormecimentos sutis...
Pois esse quase amor me encerra
Enterra metade
De meus medos e vazios
Adianta passos indecisos
E pinta minhas tardes
com tons de ternura.
Tudo o que suspeito entre nós
Me indica caminhos
Onde encontro meus lápis
e meus caderninhos de outrora.
E chego inevitavelmente
A qualquer verdade.
Entre lembranças e sorrisos
Safadezas e lágrimas
Vou anoitecendo por dentro
Revisitando aos poucos
Esse buraco negro de regresso
a mim mesma...
E vivo ainda uma década de alegrias
Quando reencontro o que sou e o que sinto
E tudo o que é capaz de despertar em meu peito
Esse tempo nefasto.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Nós
Habita em mim
A sílaba tônica do inconsciente
Monólogo que antecede a alegria
A preamar de meus anseios
De infância e orgasmo
Letras e notas sonoras navegantes
Ilumino e escrevo
Na página da minha saudade
Palavras ilegíveis de demora e espera
Sandices sedentas de sonhos e memórias
O hálito doce que inspiro e despejo
Fica em meu barco o eterno vazio
A presença do mar que me contamina
Uma totalidade imediata:
A capacidade absoluta
De preencher minhas entranhas.
Entrego a minha pele
Para guardar seus suores e tremores
E dizer em sussurros
O que não se pode dizer em grito
Ou correnteza
Em sopros e ondeios
de inocências múltiplas e lacrimais.
Não quero calcificar meus olhos
De possíveis porquês
Busco só a palavra exata
Que defina esse esvaziamento que completa.
Esvaziar-me por dentro é sorte
Sem doses e limites
Em simbiose
Como se fôssemos filhos
De estranhos silêncios.
E como se não fôssemos amantes
Não busco nomes ou explicações
Deixo o vento soprar nas velas de seus sabores
Nos rumores das brisas que me aliviam
E nos deixo habitar em oceanos profundos
De apenas poemas e sem fins.
A sílaba tônica do inconsciente
Monólogo que antecede a alegria
A preamar de meus anseios
De infância e orgasmo
Letras e notas sonoras navegantes
Ilumino e escrevo
Na página da minha saudade
Palavras ilegíveis de demora e espera
Sandices sedentas de sonhos e memórias
O hálito doce que inspiro e despejo
Fica em meu barco o eterno vazio
A presença do mar que me contamina
Uma totalidade imediata:
A capacidade absoluta
De preencher minhas entranhas.
Entrego a minha pele
Para guardar seus suores e tremores
E dizer em sussurros
O que não se pode dizer em grito
Ou correnteza
Em sopros e ondeios
de inocências múltiplas e lacrimais.
Não quero calcificar meus olhos
De possíveis porquês
Busco só a palavra exata
Que defina esse esvaziamento que completa.
Esvaziar-me por dentro é sorte
Sem doses e limites
Em simbiose
Como se fôssemos filhos
De estranhos silêncios.
E como se não fôssemos amantes
Não busco nomes ou explicações
Deixo o vento soprar nas velas de seus sabores
Nos rumores das brisas que me aliviam
E nos deixo habitar em oceanos profundos
De apenas poemas e sem fins.
sábado, 6 de abril de 2013
Virose
Na verdade essa dor
Não é bem na barriga
É um desfalecer de aura
Um sufocamento de desamparo
Frio qualquer de falta de alento.
Me deixo queimar por dentro
E botar pra fora uma solidão aquosa
desatinada...
Misturada a resquícios de desesperanças
Desesperos de pura comodidade
Silenciosos enjôos expelidos em pequenos
sonetos de ardor.
Só porque o que dói em mim nem tem nome:
o esquecimento dará conta de teu trágico fim
Lembranças estarão presentes
nos vasos em que vomito
E talvez dor alguma me faça renascer.
Não é bem na barriga
É um desfalecer de aura
Um sufocamento de desamparo
Frio qualquer de falta de alento.
Me deixo queimar por dentro
E botar pra fora uma solidão aquosa
desatinada...
Misturada a resquícios de desesperanças
Desesperos de pura comodidade
Silenciosos enjôos expelidos em pequenos
sonetos de ardor.
Só porque o que dói em mim nem tem nome:
o esquecimento dará conta de teu trágico fim
Lembranças estarão presentes
nos vasos em que vomito
E talvez dor alguma me faça renascer.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Fuga
Enquanto arrumo
meu vestido
Penso:
Preciso apenas
Não estar mais aqui.
Preciso de um lugar
Inóspito
Territótio antigo
inaudível
Qualquer lugar
entre a carne a terra
Qualquer lugar
Onde meu coração bata menos.
Preciso só não estar mais aqui.
Esquecer intuições e dores futuras
Responsabidades que delego
Em soluços, sem saber.
E procuro outros portos, alheia
Pois já não suporto mais a dor
De pequenas esperanças.
E ainda suplico
por olhos complacentes
E tropeços menores.
Pois sofro de doença incurável:
A verdade que aplaca os incertos
E afugenta os homens.
Peste que em qualquer tempo
Me negligencia.
E me atira em gangorras e feridas
Quando as explicações
São desnecessárias.
Porque necessário mesmo
É estar em qualquer lugar
Longe do gigantismo de minhas
Mesmices e vontades.
Longe de discretos sorrisos
E romantismos afins.
Longe dessa minha incorrigível
Vontade de ser feliz.
meu vestido
Penso:
Preciso apenas
Não estar mais aqui.
Preciso de um lugar
Inóspito
Territótio antigo
inaudível
Qualquer lugar
entre a carne a terra
Qualquer lugar
Onde meu coração bata menos.
Preciso só não estar mais aqui.
Esquecer intuições e dores futuras
Responsabidades que delego
Em soluços, sem saber.
E procuro outros portos, alheia
Pois já não suporto mais a dor
De pequenas esperanças.
E ainda suplico
por olhos complacentes
E tropeços menores.
Pois sofro de doença incurável:
A verdade que aplaca os incertos
E afugenta os homens.
Peste que em qualquer tempo
Me negligencia.
E me atira em gangorras e feridas
Quando as explicações
São desnecessárias.
Porque necessário mesmo
É estar em qualquer lugar
Longe do gigantismo de minhas
Mesmices e vontades.
Longe de discretos sorrisos
E romantismos afins.
Longe dessa minha incorrigível
Vontade de ser feliz.
domingo, 24 de março de 2013
Certeza
Em longas viagens
Trago palavras entaladas na garganta
Coceiras nas mãos
Versos flutuantes
Sorrisos mínimos e vida em pauta.
Nas costas o prazer absoluto
O peso e o gosto insalubre
Do voto semanalmente renovado.
O solitário sonho
de quem nada no ar.
No estômago o medo
de terríveis previsões
Seguido de sons fùnebres
violinos cortantes e beijos febris.
Mas nada dói mais
Que voltar arrastando em meus pés
Sangramentos maiores
Cortes profundos
Quereres contidos.
Nada dói tanto
Que essa renúncia velada em meus olhos:
A certeza de que estarei sempre só.
O sono que vêm me roubando a vida.
Essa morte de visita que vem devagar.
Então, me deixo sangrar
Para que escorra em mim
Tudo o que preciso.
Morrer
Para ser novamente
Apenas caminho.
Trago palavras entaladas na garganta
Coceiras nas mãos
Versos flutuantes
Sorrisos mínimos e vida em pauta.
Nas costas o prazer absoluto
O peso e o gosto insalubre
Do voto semanalmente renovado.
O solitário sonho
de quem nada no ar.
No estômago o medo
de terríveis previsões
Seguido de sons fùnebres
violinos cortantes e beijos febris.
Mas nada dói mais
Que voltar arrastando em meus pés
Sangramentos maiores
Cortes profundos
Quereres contidos.
Nada dói tanto
Que essa renúncia velada em meus olhos:
A certeza de que estarei sempre só.
O sono que vêm me roubando a vida.
Essa morte de visita que vem devagar.
Então, me deixo sangrar
Para que escorra em mim
Tudo o que preciso.
Morrer
Para ser novamente
Apenas caminho.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Adeus
Carrego na bolsa
Um adeus despedaçado
Latejando no aguardo
Do tão esperado abandono...
Sempre á espreita de qualquer
Frieza tranquila
A água gelada do seu pensamento...
E me despeço de você
Cada dia um pouco mais...
Me deixo ser escolhida
Porque crer em tuas dúvidas
E me deixar morrer aos poucos
Talvez seja o único suicídio explicável
Em meus versos...
E atendendo ao seu chamado
Vou e volto presa aos teus pedidos
Com tuas mãos em meus cabelos
E teu hálito em minhas pernas
Para contradizer minha incredulidade
E eternizar a alegria
De sucumbir aos seus encantos...
E da lembrança de teus olhos tristes
Venho amarrada pela cintura
Aos laços de nossas escolhas
Esperando apenas pelo dia
Em que bata á minha porta
E despeje em meus olhos
Um silencioso e incontestável adeus.
Um adeus despedaçado
Latejando no aguardo
Do tão esperado abandono...
Sempre á espreita de qualquer
Frieza tranquila
A água gelada do seu pensamento...
E me despeço de você
Cada dia um pouco mais...
Me deixo ser escolhida
Porque crer em tuas dúvidas
E me deixar morrer aos poucos
Talvez seja o único suicídio explicável
Em meus versos...
E atendendo ao seu chamado
Vou e volto presa aos teus pedidos
Com tuas mãos em meus cabelos
E teu hálito em minhas pernas
Para contradizer minha incredulidade
E eternizar a alegria
De sucumbir aos seus encantos...
E da lembrança de teus olhos tristes
Venho amarrada pela cintura
Aos laços de nossas escolhas
Esperando apenas pelo dia
Em que bata á minha porta
E despeje em meus olhos
Um silencioso e incontestável adeus.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Lágrimas
Em letras sinuosas
Teço um longo manto de enlaces
Rezo terços dos últimos pecados
Dedilho duas ou três notas
Numa silenciosa música
E vou bordando em dor profunda
Palavras particulares...
Símbolos que só eu posso decifrar.
Faço-me refém de tortuosos pontos...
Ora perfeitos, ora inacabados
Nas agulhas em que espeto
Meus dedos, meus medos
E meu coração...
Porque essa costura
De vontades incontidas
e de desesperos maiores
Me mostra sua presença constante
e borbulhante...
E te encontro no caldeirão em que ferve
a minha lembrança...
Diante dessa contínua e bonita agonia
Que chamamos de saudade...
Quero esquecer de seus olhos
E queimar todos os meus versos!
Porque esse amor só revela
Todo o meu desamparo
E minha louca entrega repentina...
E de seus silêncios e distâncias
Nascem minhas perguntas
Meus intervalos e minha solidão.
Vou tecendo meu manto desnuda
Em canções de outras mulheres
No ritmo de minhas levianas afirmações
Nas horas de espera
por nossos encontros furtivos
E quando te vejo...
Quero apenas represar o meu olhar
para que meus olhos não me denunciem
e digam de uma vez por todas
Tudo o que levaria uma vida inteira pra dizer.
Teço um longo manto de enlaces
Rezo terços dos últimos pecados
Dedilho duas ou três notas
Numa silenciosa música
E vou bordando em dor profunda
Palavras particulares...
Símbolos que só eu posso decifrar.
Faço-me refém de tortuosos pontos...
Ora perfeitos, ora inacabados
Nas agulhas em que espeto
Meus dedos, meus medos
E meu coração...
Porque essa costura
De vontades incontidas
e de desesperos maiores
Me mostra sua presença constante
e borbulhante...
E te encontro no caldeirão em que ferve
a minha lembrança...
Diante dessa contínua e bonita agonia
Que chamamos de saudade...
Quero esquecer de seus olhos
E queimar todos os meus versos!
Porque esse amor só revela
Todo o meu desamparo
E minha louca entrega repentina...
E de seus silêncios e distâncias
Nascem minhas perguntas
Meus intervalos e minha solidão.
Vou tecendo meu manto desnuda
Em canções de outras mulheres
No ritmo de minhas levianas afirmações
Nas horas de espera
por nossos encontros furtivos
E quando te vejo...
Quero apenas represar o meu olhar
para que meus olhos não me denunciem
e digam de uma vez por todas
Tudo o que levaria uma vida inteira pra dizer.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Carta
Só você tem meus poemas
Todos aqueles que escrevo agora
E todos os outros que andavam perdidos
Endereçados a ninguém...
Cartas escritas a mim mesma
Sob a alcunha do encantamento
As vezes tortas e enganadas
Exiladas em minhas gavetas
Adormecidas num tempo
De lonjuras e mares
A espera da voz
Que as despertasse um dia...
Quero que leia em mim
esses versos intrusos
Habitantes de casas
que não lhes pertenciam
Amantes dos rumores
e das saudades
Sonhos naufragados
Interrompidos por breves
espasmos de desejos...
Hoje, resolvo andar mais devagar
e assim as palavras me escolhem
E seus olhos me alcançam
Amanhecem em mim
E escrevem uma carta
Em longos sorrisos
Pouco a pouco
Para que o gatilho
de minhas andanças
Jamais deixe de ser poesia.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Acaso
O acaso que me trouxe até aqui
Entende bem de casos
E encontros
Pois de desencontros
Meus anseios são propícios
E dói tanto ser muito
Em tempos de tão pouco...
Tampouco, esse acaso traz alento
Sussurra um saborear solitário
em pratos de delícias intensas
Enche-me de superlativos
E me dilacera
Para que o amor ordene
Que minhas palavras
Procurem os papéis
As linhas dos cadernos
os pequenos guardanapos
Dos bares onde despejo
Esse pestanejar de incertezas...
Para que encontrem
As valas onde escorregam
Minhas letras furtivas
Como lagartas
Metamorfoseando-se
Em pequenos vômitos de doçura.
E assim dispenso discursos
Deixo escapar
As prematuras borboletas
Esse inquieto brincar contido
Em meu peito...
Para que me encontre em cada verso
Para que permaneças ao alcance
Dos meus sonhos
Para que esse eterno acaso
Contrarie minhas premonições
E uma ínfima esperança de que fiques
Brote pra sempre em meu leito.
Entende bem de casos
E encontros
Pois de desencontros
Meus anseios são propícios
E dói tanto ser muito
Em tempos de tão pouco...
Tampouco, esse acaso traz alento
Sussurra um saborear solitário
em pratos de delícias intensas
Enche-me de superlativos
E me dilacera
Para que o amor ordene
Que minhas palavras
Procurem os papéis
As linhas dos cadernos
os pequenos guardanapos
Dos bares onde despejo
Esse pestanejar de incertezas...
Para que encontrem
As valas onde escorregam
Minhas letras furtivas
Como lagartas
Metamorfoseando-se
Em pequenos vômitos de doçura.
E assim dispenso discursos
Deixo escapar
As prematuras borboletas
Esse inquieto brincar contido
Em meu peito...
Para que me encontre em cada verso
Para que permaneças ao alcance
Dos meus sonhos
Para que esse eterno acaso
Contrarie minhas premonições
E uma ínfima esperança de que fiques
Brote pra sempre em meu leito.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Universo
Hoje cubro-me de estrelas
Para eternizar nosso encontro
E ocupar esse universo
E ocupar esse universo
De espera e solidão.
Venho te despertar
Do sono da mesmice
E da dúvida de não me querer.
Penso, que na verdade
O amor é essa lava espessa
Esse caminhar perdido
Pelos vales da morte
Essa incerta inspiração.
E em lágrimas contidas
Caminho por ares de concreto
Até encontrar seu destino.
Porque minha busca é árida
E meu solo é companhia.
E por ele trago
O pensamento nos pés
O medo na garganta
E no ventre o coração.
Assinar:
Comentários (Atom)